UM DIÁLOGO: EU E O TEXTO

SEMANA 2 – TEXTO, TEXTUALIDADE, TEXTUALIZAÇÃO 23/09/2011 00:20:20 Totalmente Compartilhado

 

Texto
UM DIÁLOGO: EU E O TEXTO

Existem vários conceitos do que seja um texto, ou seja, na tentativa de encontrar respostas adequadas ou que satisfaçam minimamente as várias perguntas concernentes àquilo que seja texto é que existem várias interpretações. É certo que cada teoria, no seu tempo, satisfez as exigências e necessidades do leitor até determinado tempo.   Uma das teorias admite que tudo que existe é um texto, por exemplo, dentro dessa teoria eu sou um texto porque tenho uma história, a janela tem a sua própria história (entenda história como ter existência própria, independentemente, se ser animado ou não), até mesmo o barulho é um texto porque ele existe e tem um significado. De acordo com o texto “Teorias do texto: do texto ao hipertexto” se tudo que vemos e ouvimos pode ser um texto, o conceito de texto se transforma em nada e se torna intratável, indefinível e deixa de servir a este propósito. Acredito que, realmente, o conceito é bastante abrangente se formos analisá-lo mais detalhadamente, entretanto, não deixa de existir ou transformar-se em nada porque, de forma inocente, responde as nossas perguntas. Como o questionamento é uma característica inerente ao ser humano e é essa capacidade que faz com que esgotemos todos os recursos disponíveis para a solução de problemas que nos afligem, avançamos em nossas teorias sobre o texto.  Para que nossa teoria de que “ler é ler textos verbais e escrever é produzir textos verbais” nos satisfaça é necessário que admitamos que “elementos-não verbais se associem ao verbal”, entretanto, a dúvida persiste porque “há inúmeros textos que são compostos também por elementos não verbais” que compõe os ambientes digitais e midiáticos. No sentido stricto, textos são aquelas produções que se utilizam da linguagem verbal associada ou não a outras linguagens. Por um tempo, esta teoria também satisfaz a minha curiosidade de ser humano, embora, ainda restem dúvidas. É certo que existem muitos aspectos que fazem um texto diferir de um aglomerado de frases, apresentar uma estrutura identificável, uma organização, um propósito, etc. de acordo com Ingedore Koch um texto não é simplesmente uma sequência de frases isoladas, mas uma unidade linguística com propriedades estruturais específicas. Então vem a dúvida “o texto não seria aquilo que os gêneros têm em comum?” caímos, assim, em características da linguagem e que não definem texto. Finalmente chego ao conceito de BEAUGRANDE (1997) que afirma que o texto é um evento comunicativo em que convergem as ações linguísticas, cognitivas e sociais, e não apenas a sequência de palavras que são faladas ou escritas. Neste momento, paro, reflito e vejo que as minhas perguntas sobre o que é texto cessaram e a minha inquietação deixa de existir, embora, no futuro essa evidência do que seja texto não seja mais suficiente para atender as minhas expectativas de ser humano curioso, mas até lá, ela, realmente, me basta.

Na tentativa de fixar o conceito anteriormente abordado é que entro no conceito de “Texto, textualidade e textualização”. Acredito nos pressupostos que afirmam que “nenhum texto tem sentido em si mesmo e este pode fazer sentido, numa determinada situação, para determinados interlocutores”, assim, o texto assume uma função social e atende as expectativas e conhecimento do leitor. Dessa forma, o texto é um produto que reflete a cultura de origem do mesmo. Concordo que o sentido do texto não se encontra nele mesmo, mas é obtido pelo locutor e alocutário em cada momento de interação e uso da língua. E é dessa interação entre texto, leitor e conhecimento do mesmo que surgem as diversas interpretações. Isto acontece devido ao fato de que “cada texto pode ser textualizado de maneiras diferentes por diferentes ouvintes ou leitores”. Pode-se afirmar, então, que a textualidade é “um componente do saber linguístico das pessoas”. Segundo Beaugrande e Dressler existem sete fatores que compõem a textualidade, ou seja, que fazem parte do conhecimento textual que as pessoas se apropriam nos textos que produzem e nos textos que leem. Estes fatores são: a coesão, a situcionalidade, a intencionalidade, a aceitabilidade, a informatividade e a intertextualidade. Já para Schmidt a textualidade inclui tanto o aspecto linguístico quanto o aspecto social tendo primazia sobre as outras dimensões a sociocomunicativa.

A coerência tem a ver com as ideias e relações entre conceitos expostos no texto, além dos conhecimentos, informações e a habilidade de interpretação do leitor. Cabe, então, ao ouvinte ou ao leitor identificar e inter-relacionar as informações produzindo coerência para o texto. É óbvio que os interlocutores partilham conhecimentos linguísticos, textuais e pragmáticos da língua. Segundo Charolles os interlocutores sedimentaram algumas tendências gerais de coerência que é co-construída pelos mesmos interlocutores no momento da fala ou leitura. Segundo Koch & Travaglia a coerência é que dá origem à textualidade. A aceitabilidade textual pelo alocutário depende da coesão e da intencionalidade do locutor. A coesão pertence a semântica, visto que, “a interpretação de um elemento textual depende da interpretação de outro elemento textual”. Para alguns teóricos um texto sem coesão seria um não-texto.  Já a informatividade refere-se à ao nível de novidade que cada texto tem, ou seja, se este nível é baixo o alocutário tende a rejeitar o texto porque este irá acrescentar pouco conhecimento. Se for alto demais o texto torna-se incompreensível e a rejeição ocorrerá da mesma forma. Conclui-se, então, que o nível de informatividade é subjetivo, consequentemente, um texto é fácil para alguns e difícil para outros. Um fato interessante é que a subjetividade pode referir-se a um mesmo alocutário em momentos diferentes de leitura do texto. O mesmo texto que hoje é incompreensível para mim amanhã pode não sê-lo. “O texto é pensado não como uma sequência ou a soma dos significados localizados, mas como um todo estruturado, cuja significação, coerência é feita no plano global”.

Não existe um conceito único que defina o que seja texto. Percebe-se que estes conceitos variam de acordo com as necessidades do tempo em que viveram, e de cada teórico, entretanto, todos definem o que é texto. Alguns são mais simples e outros mais complexos, e todos de suma importância para que novas teorias e novos questionamentos surjam. Segundo Conte “um texto não se encerra nem se resolve nele mesmo, mas se produz na relação desse texto com o contexto em que ele ocorre, nas ações que, por ele, com ele ou nele, os falantes realizam”.

 

BIBLIOGRAFIA

 

COSTA VAL, Maria da Graça. Texto, textualidade e textualização. In: CECCANTINI, J.L. Tápias; PEREIRA, Rony F.; ZANCHETTA Jr., Juvenal. Pedagogia Cidadã: cadernos de formação: língua Portuguesa. V. 1. São Paulo: UNESP, Pró-Reitoria de Graduação, 2004. P. 113-128

COSTA VAL, Maria da Graça. Repensando a textualidade.  In: AZEVEDO. José Carlos (org.). Língua Portuguesa em Debate: conhecimento e ensino. Petrópolis: vozes, 2001. P. 34-51.

COSCARELLI, Carla Viana. O que é texto? In: Curso de Especialização de Línguas Mediado por Computador.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s