“O texto se faz, se trabalha através de um entrelaçamento perpétuo”

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SEMANA 4 – TRABALHO EM GRUPO

10/10/2011 23:14:15

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Texto
Universidade Federal de Minas Gerais

Curso: Especialização em Estudo de Línguas Mediado pelo Computador

Disciplina: Teorias do Texto: do texto ao hipertexto

Professora: Carla Viana Coscarelli

Aluna: Cibelle Tonelli Veiga Menezes, Lídia de Cássia, Sérgio Belo Coutinho

 

 

“O texto se faz, se trabalha através de um entrelaçamento perpétuo”

BARTHES (1987)

 

O leitor faz leituras diferentes de um mesmo texto, em momentos diferentes de sua vida, dependendo da sua maturidade cognitiva. Percebemos então, que o texto não é uma unidade completa, até que seja construído pelo leitor para ter sentido. Pode-se afirmar que, no texto impresso, o autor usufrui da liberdade que o hipertexto oferece e a leitura também está sempre inacabada. É lógico que Barthes referia-se a textos impressos e a flexibilidade que ele oferece em relação à construção de significados dados pelo leitor do mesmo texto. Não é necessário ser um “expert” em tecnologia para concordar com DEMO quanto às novas tecnologias que vieram para ficar e vão invadir, cada vez mais, o espaço educacional e que podem também ser movidas por dinâmicas aptas a contribuir incisivamente para o aprimoramento da aprendizagem.

Uma diferença marcante entre texto e hipertexto é a liberdade que o autor tem de inserir esses elementos verbais, não-verbais, animações, entre outros que vão facilitar ou dificultar a interação entre leitor e o texto.  Conforme Lévy (2008, p. 108), “a nova escrita hipertextual ou multimídia certamente estará mais próxima da montagem de um espetáculo do que da redação clássica, na qual o autor apenas se preocupava com a coerência de um texto linear e estático e exigirá equipes de autores em um verdadeiro trabalho coletivo”. Nesse sentido, por exemplo, a wiki permite uma autoria coletiva permitindo que todos os participantes interajam entre si e agregue seu texto a um formato que não admite versão final ou fechada. Não somente o texto escrito está inacabado como a leitura também se encontra inacabada. Sempre há algo a ser acrescentado e que estimule a formação de novos escritores e leitores em um espaço aberto e, por que não, feito para a aprendizagem.

Nessa nova perspectiva educacional para entender o texto, considerando-o em ambientes digitais, deve-se primeiramente entender que o ambiente digital não é um simples “suporte” para o texto, mas um meio de articulação e conexão de ideias e conceitos articulados, que lhe dão autonomia para que se possa ler e “navegar”, de acordo com suas necessidades.  COSCARELLI, em “Textos e hipertextos: procurando o equilíbrio”, defende a ideia de que o texto é um hipertexto, na medida em que um texto sempre nos remete a outros textos.  Provou-se por meio da pesquisa que não há diferenças qualitativas quanto aos resultados obtidos de textos impressos ou digitalizados. O diferencial é que o leitor de hipertextos tem que saber lidar com as novas tecnologias de forma tão natural quanto lida com os textos impressos, pois o hipertexto pode trazer infinitas possibilidades de aquisição de informações. Nesse sentido, a maturidade do leitor é importante, tanto no texto impresso quanto no digital, afinal, como afirma a autora, todo texto é um hipertexto e toda leitura é um processo hipertextual, ou seja, “se bem escritos… respeitando as regras de textualidade do seu gênero e estando adequado ao leitor, e o leitor sendo bom leitor, a leitura vai gerar resultados satisfatórios” (p.1). Como afirma a autora, textos mal escritos e leitores pouco hábeis vão gerar um resultado muito ruim e acredito que independe se o texto é impresso ou digitalizado. Entende-se então que o entendimento do hipertexto exige que haja uma mudança na prática de leitura e escrita. Segundo a autora, para ser um bom leitor e produtor de textos multimodais, ou seja, textos que lidam com diversas linguagens, o leitor deve dominar diversas habilidades de leitura e produção de textos verbais incluindo práticas não verbais. Entendemos práticas não verbais como textos que induzem o leitor a fazer inferências e, assim como no hipertexto, trazem liberdade para que o leitor torne-se um co-autor e faça sempre novas leituras de um mesmo texto, seja ele impresso ou digitalizado. Mas o hipertexto é a porta de entrada para mídias eletrônicas e traz uma ideia de rede. Segundo SANTAELLA (2007, P.175):

O hipertexto traz consigo uma máquina hipertextual que coloca em ação, por meio de conexões, um contexto dinâmico de leitura comutável entre vários níveis midiáticos. Cria-se, com isso, um novo modo de ler. A leitura orientada hipermidiaticamente é uma atividade nômade, de perambulação de um Aldo para o outro, juntando fragmentos que vão se unindo mediante uma lógica associativa e de mapas cognitivos personalizados e intransferíveis.

 

É certo que, com o advento da informática, novos textos e, consequentemente, novos gêneros textuais, novas formas de escrita e leitura surgem todo dia exigindo do leitor novas habilidades cognitivas como: navegar, fazer inferências, encontrar e selecionar informações que atendam a seus objetivos. Nesse sentido, o hipertexto adequa-se como uma luva devido à diversidade de objetivos inseridos em cada gênero. Retornando ao hipertexto digital, este exige um contexto dinâmico de leitura, criando um novo modo de ler, permitindo que o leitor vá de um lado para outro, de acordo com os seus objetivos no momento em que a leitura ocorre, ou seja, os caminhos vão ser sempre diferentes em momentos diferentes de leitura mesmo em um ambiente digital. Devemos, também, nos lembrar de que esta também é uma característica abordada por BARTHES em textos impressos. Nessa medida, o novo contrapõe-se ao velho, visto que antigamente ao ler um texto impresso e fizéssemos associações, naturais, teríamos que pisar em pedras e buscar os “links” de forma árdua para que entendêssemos o texto. Nesse sentido o hipertexto apresenta-se como uma revolução educacional e de práticas de leitura e, para nós e para muitos, uma evolução “natural”. O próprio leitor tornou-se um leitor multitarefa, ou seja, aquele que quer urgentemente respostas para suas indagações e não tem tempo de andar sobre as pedras em busca de conhecimento. Assim, o novo leitor quer textos dinâmicos, que estão sempre em movimento e com um toque fáceis de serem acessados. Uma coisa é certa o leitor atual quer praticidade e tornou-se exigente nas suas escolhas além de bastante crítico em relação ao conteúdo acessado via internet, e note-se mais crítico que os leitores de impressos.

Retornando aos hipertextos, COSCARELLI afirma que hipertextos são textos não lineares que oferecem links ou elos para outros textos que podem ser imagens, gráficos, vídeos, animações, sons. Para Palacios e Mielniczuk (2002, p. 6), “a novidade do hipertexto digital (…) não está na não linearidade ou na intertextualidade em si mesmas, mas no link, o recurso técnico que vai potencializar a utilização de tais características”. Outra verdade implícita, segundo YOUNG, citado por DEMO é que as novas tecnologias não aposentaram as teorias vigentes de aprendizagem. Antes as reconstroem como é sempre o caso: teorias não se adotam, se usam, desconstruindo e reconstruindo. Assim, aprender pela via tradicional ou através das novas tecnologias permite êxito similar em ambas às leituras.

E é nesse contexto de mudanças na educação que surge o hipertexto como nova forma de texto e como ferramenta que amplia a visão que se tem de aprendizagem trazendo consigo novas perspectivas e uma maior liberdade criativa tanto do mestre quanto do aluno. E ambos, tanto mestre quanto alunos, concordam que a aprendizagem ocorre dentro e fora de sala de aula e que, quando se quer aprender não há o requisito lugar ou idade. Segundo DEMO, e nós também concordamos, esta é uma característica fundamental das novas tecnologias. Assim, há um peso considerável na motivação do aluno quando se trata de aprendizagem digital. Isto traz consigo novas posturas quanto ao tipo de aluno que o professor tem, pode se dizer que, “ a geração net gosta de fazer muita coisa ao mesmo tempo, espraia sua atenção em tarefas esparramadas, prefere trabalho em grupo, aprecia outros formatos de texto, faz barulho e estuda com música alta, insere-se em ambientes multiculturais” restando ao mestre adaptar-se as novas exigências de sua clientela.

 

 

BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. São Paulo, Perspectiva: 1987.

 

DEMO, Pedro. “Tecnofilia & tecnofobia”. B. Téc., Senac: a R. Educ. Prof., Rio de Janeiro, v. 35, n. 1, jan./abr. 2009.

LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 2008.

 

PALACIOS, M.; MIELNICZUK, L. Considerações para um estudo sobre o formato da notícia na web : o link

como elemento paratextual. Paura Geral, Salvador, v. 4, p. 3350, 2002.

 

SANTAELLA, L. M.Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2007.

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