O blog e a intertextualidade

 

  Título

Data

Compartilhamento

SEMANA 5- TRABALHO FINAL – BLOG

14/10/2011 00:25:53

Totalmente Compartilhado

 

Texto
 

 

Universidade Federal de Minas Gerais

Curso: Especialização em Estudo de Línguas Mediado pelo Computador

Disciplina: Teorias do Texto: do texto ao hipertexto

Professora: Carla Viana Coscarelli

Aluna: Cibelle Tonelli Veiga Menezes

Lídia de Cássia

Luciana Braga dos Santos Borborema

Sérgio Belo Coutinho

Valkíria Santos

 

 

O blog e a intertextualidade

 

 

O advento da internet trouxe formas novas de comunicação e informação, por exemplo, chats, fóruns de discussão, redes sociais, blogs, e-mails, entre outros recursos que fazem parte do nosso cotidiano. É óbvio que cada um deles possui características próprias e objetivos diferenciados. Dentre esses, destacam-se aqueles relacionados a contextos educacionais como recurso didático no processo de ensino-aprendizagem. Sob esse aspecto, é relevante a utilização do blog como ferramenta de interação e produção de textos, porque oferece, segundo CONTI, “aos professores um recurso que possibilita a sua interação com o aluno em um ambiente virtual, ampliando as possibilidades de aprendizagem”. Neste trabalho, adotaremos a nomenclatura de gênero textual definida por Marcuschi por acreditarmos que se adequa melhor ao nosso objetivo de estudo que é o blog. Dessa forma, segundo Marcuschi (2004, p.31)

trata-se de um gênero emergente que teria como contraparte preexistente os diários pessoais, abrigam tanto escritas sobre si, ou seja, declarações de cunho pessoal, que formariam o gênero “diário pessoal”, quanto piadas, músicas e outros gêneros que demonstram o gosto pessoal do “dono” do blog.

O blog tem as suas origens mais remotas nos diários (onde as pessoas relatavam os seus momentos mais particulares, ou seja, a sua autobiografia). A crítica literária relutou por tempo em aceitar essa forma de escrita como um gênero de grande importância. Isto devido ao fato de que a autobiografia era considerada um gênero de qualidade inferior, se comparado aos outros gêneros, principalmente aos romances. A crítica alegava que qualquer indivíduo poderia escrever sobre seus dramas e angústias, transformando um diário em algo muito popular, não um gênero para poucos “literatos iluminados”. Os anônimos teriam a sua chance de falar da sua subjetividade assim como os escritores famosos. Antigamente, os “diaristas” escreviam com o propósito de desabafar por escrito e depois queimavam seu desabafo com receio de que alguém o lesse e não gostasse. Mas, no século XXI, a proposta do “diário virtual”, ou melhor, do blog, surgiu para que as ideias do blogueiros pudessem ser vistas por todos, de modo que seus “leitores ou seguidores” opinassem sobre o que haviam lido. Segundo SCHITTINE (2004), “o diário na internet vem assumir o pecado da vaidade no escrito íntimo. Ele é a prova que o diarista pretende falar sobre si mesmo e espera que um grupo de pessoas se interesse e goste do assunto”.

Sendo assim, entendemos o blog como um gênero textual digital porque é um tipo de texto “relativamente estável” de enunciados, elaborados pelas mais diversas esferas da atividade humana. Segundo CUNHA e FREITAS, citado por CONTI, com o blog pode-se explorar qualquer tema a partir dos relatos de alunos e professores, através da leitura e da escrita e, por meio de comentários, é possível fazer com que o aluno se envolva com o conhecimento e a tecnologia. Assim, “a tecnologia deve ser entendida como uma possibilidade de expressão do ser e de ampliação das relações entre os professores, alunos e conhecimento, considerando o desenvolvimento de cada um dos envolvidos”. Seguindo o mesmo pensamento, o nosso foco de pesquisa é o blog e para tal é necessário que achemos uma definição a fim de que a análise feita seja a mais correta possível.

“Blog: termo reduzido de weblog. É um tipo de diário virtual público que contém informações específicas sobre uma determinada pessoa, lugar ou situação e que e usado para expressar ideias, opiniões e posição em face de determinado assunto. Também conhecido como “diários da internet”, com a característica de conter também imagens e “links”, e ainda a opção de fazer comentários ou críticas sobre o assunto, as imagens ou mesmo sobre o autor do blog (blogueiro). Por ter a forma de diário, pode ser atualizado diariamente e as postagens aparecem numa ordem cronológica reversa, ou seja, as primeiras postagens ocupam os últimos registros, com a data e hora decorrente e as últimas aparecem primeiras. Caracterizado por uma ampla gama de opções de formato, esse gênero foi rapidamente assimilado pelos adolescentes e jovens no mundo inteiro.”

 

Ou seja, o blog é uma ferramenta que permite a convivência de múltiplas semioses, além do texto, como imagens (fotos, desenhos, animações) de som (músicas, entrevistas etc), diferentemente do texto impresso, em que, por exemplo, a música dificilmente estará presente na forma como acontece nos blogs. Segundo MARCHUSCHI (2004)

Os blogs são datados, comportam fotos, músicas e outros materiais. Têm estrutura leve, textos em geral breves, descritivos e opinativos. São um grande sistema de colagem em certos casos […] Não são como emails nem como chats, pois cada qual pode pôr no livro do outro o seu recado ou comentário sobre algo que o outro escreveu.

 

Concordamos que a tela do computador é um novo espaço de inserção de textos que introduz alterações radicais nos nossos hábitos de escrever e ler. Assim, considerando-se o contexto de produção (escola, família, interação comercial, pessoal), o papel social do enunciador e do destinatário e o objetivo de interação, podemos descrever um plano textual geral do blog em que se apresenta um cabeçalho onde é apresentado o nome e um resumo do tema do diário; laterais usadas para mostrar o perfil e informações de contato do escritor do blog, bem como arquivos de textos e fotos já publicados; endereços e comentários recomendados pelo escritor do blog e espaço para comentários dos leitores. As postagens apresentam data, horário e autor. Um dos principais recursos utilizados nos blogs são os posts que são textos que podem ser alterados, apagados ou atualizados com a frequência que o autor do blog desejar. Os posts podem incluir links para outras páginas da web ou blogs. Através da caixa de diálogos, os leitores podem enviar seus comentários para o escritor e, dessa forma, também tornar-se proprietário ou co-autor do blog.

Como já vimos, com o advento da informática, novos textos e, consequentemente, novos gêneros textuais, novas formas de escrita e leitura surgem todo dia exigindo do leitor novas habilidades cognitivas como: navegar, fazer inferências, encontrar e selecionar informações que atendam a seus objetivos. Nessa nova perspectiva educacional para entender o texto, considerando-o em ambientes digitais, deve-se primeiramente entender que o ambiente digital não é um simples “suporte” para o texto, mas um meio de articulação e conexão de ideias e conceitos articulados, que lhe dão autonomia para que se possa ler e “navegar”, de acordo com suas necessidades.  COSCARELLI, em “Textos e hipertextos: procurando o equilíbrio”, defende a ideia de que o texto é um hipertexto, na medida em que um texto sempre nos remete a outros textos.  Provou-se por meio da pesquisa que não há diferenças qualitativas quanto aos resultados obtidos de textos impressos ou digitalizados. O diferencial é que o leitor de hipertextos tem que saber lidar com as novas tecnologias de forma tão natural quanto lida com os textos impressos, pois o hipertexto pode trazer infinitas possibilidades de aquisição de informações. Segundo DI LUCCIO & NICOLACI-DA-COSTA

 

Na tela conectada à internet, o escritor se tornou livre para desenvolver todo o processo de confecção e divulgação de um texto. Além disso, diferentemente do que acontecia na era do rolo, do códice e da imprensa, o escritor de hipertextos – os textos eletrônicos – pôde abandonar a clássica lógica linear e dedutiva e escrever textos que (por meio de links) permitem o deslocamento da leitura para outros textos. Os mesmos links e a mesma lógica permitem também o diálogo com os leitores e com outros autores.

 

Nesse sentido, a maturidade do leitor é importante, tanto no texto impresso quanto no digital, afinal, como afirma a autora, todo texto é um hipertexto e toda leitura é um processo hipertextual, ou seja, “se bem escritos… respeitando as regras de textualidade do seu gênero e estando adequado ao leitor, e o leitor sendo bom leitor, a leitura vai gerar resultados satisfatórios e é neste contexto que o blog insere-se. Percebe-se, então, uma mudança na prática de leitura e escrita. No blog os participantes e o próprio criador tornam-se co-autores. Segundo SANTAELLA (2007, P.175): Nesse contexto, o blog além de ser ferramenta de comunicação e informação, é também uma ferramenta de interação social. Contudo, como vimos na definição de blog proposta por Schmidt, trata-se também de um texto que tem como suporte a internet, com características a princípio de diário pessoal em que se agregam diversos componentes semióticos (som, imagem, movimento etc…) a fim de potencializar e tornar mais atrativa a comunicação com o leitor.

De acordo com Komesu,

O blog é concebido como um espaço em que o escrevente pode expressar o que quiser na atividade da (sua) escrita, com a escolha de imagens e de sons que compõem o todo do texto veiculado pela internet. A ferramenta empregada possibilita ao escrevente a rápida atualização e a manutenção dos escritos em rede, além da interatividade com o leitor das páginas pessoais.

 

Segundo SILVA (2010) “quanto à parte estrutural dos blogs em questão, todos seguem o padrão, principalmente porque foram feitos a partir da mesma ferramenta de criação, ou seja, do mesmo site de criação. Assim, temos na parte superior da tela o nome do blog, geralmente seguido de alguma frase ou explicação do objetivo da criação daquele blog. Em seguida aparecem os textos publicados, seguidos de um link para comentários dos leitores do blog. E, por fim, do lado direito da tela, temos o perfil do criador, além de links para outros blogs e sites que ele acha interessantes e quer divulgar. Além disso, em alguns casos, aparecem ferramentas que mostram uma frase ou pensamento por dia ou divulgam as publicações do próprio autor, além do chamado ‘contador’, que aponta quantas visitas o blog já teve”. SCHITTINE (2004) complementa dizendo que o blog fica longe das características de diário de adolescente, sendo um texto curto, rápido e de linguagem informal, em grande parte de forma analítica e crítica. Ressalta também questões próprias do diário de papel são vistas por nova perspectiva quando se fala do diário virtual como a memória (imortalidade e permanência), o segredo (o contar ou não a um desconhecido), a tensão entre o espaço público e o privado (que vai aumentar com a passagem da internet) e a relação com o romance (ficção) e com o jornalismo (observação dos fatos). Sem, contudo, perder de vista quem é este autor que abre a sua intimidade para um público tão abrangente.

Além de sua estrutura textual de característica semiótica, o blog por ser uma ferramenta de publicação, possui também um impacto social, por meio das trocas de comentários na construção de estruturas sociais contribui com o caráter discursivo além do linguístico como descrevemos anteriormente. E é essa rápida na atualização e manutenção do blog que o caracteriza como um gênero estável e de múltipla utilidade enquanto texto ou enquanto função social porque hoje serve aos mais diversos fins e objetivos. Dada essa complexidade visual e ideológica, o leitor de blog além da leitura não linear proveniente dos hipertextos que o compõe é convidado a um certo grau de interatividade devido ao espaço existente e a construir nos seus usuários uma postura crítica e objetiva da realidade através de posicionamentos, opiniões. Nesse sentido o blog pode possibilitar diferentes textualizações por parte do leitor, pois como sabemos, um mesmo texto pode ser interpretado de diferentes formas por diferentes pessoas. Para CHARTIER (2003),

 

essa última revolução é a mais radical de todas, porque a tela como suporte textual mudou radicalmente a forma de lermos e fez surgir escritores e leitores também radicalmente diferentes dos anteriores, possibilitando inclusive o inédito contato de uns com os outros no mesmo suporte textual.

 

Concluindo, pode-se afirmar que o blog é um meio de comunicação onde as trocas são possíveis e as informações atualizadas constantemente. Pode-se, também, afirmar que o blog é um espaço onde a produção de texto pode ser incentivada e as discussões necessárias para a formação da cidadania possível, visto que, o leitor cria novas concepções e ideologias referentes ao seu mundo real. Desta forma, como afirma MORAES citado por CONTI o ambiente de aprendizagem, é compreendido como espaço onde interagem professores, alunos e representantes da comunidade, instrumentos e tecnologias digitais, geradores de circunstâncias para que a aprendizagem aconteça e os objetivos sejam alcançados em toda sua plenitude e funcionalidade. Isto porque como cita DI LUCCIO e NICOLACI-DA-COSTA novos suportes de textos geram novas formas de escrever e ler e esse espaço textual interconectado pode ser subdividido em inúmeros outros.

 

Referências bibliográficas

 

 

AMARAL, Adriana et al. Blogs: mapeando um objeto. In: Blogs. Com: estudos sobre blogs e comunicação. Adriana Amaral, Raquel Recuero, Sandra Montardo (orgs.)- São Paulo: Momento Editorial, 2009.

ARAÚJO, C.O que são blogs? Disponível em: <http://www.infoescola.com/informatica/o-que-sao-blogs/>Acesso em 12 out.2011

CONTI, Carla de Freitas & ROSA, Valéria da Silva. Blog: interação e produção textual no ensino superior. In http://www.ie2010.cl/posters/IE2010-134.pdf (acessado em 13/10/2011)

 

KOMESU, Fabiana. Blogs e as práticas de escrita sobre si na internet

MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antônio Carlos (Orgs.). Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

 

NICOLACI-DA-COSTA, Ana Maria, DI LUCCIO, Flávia. Blogs: De Diários Pessoais a Comunidades Virtuais de Escritores/ leitores. In:                 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S141498932010000100010&script=sci_arttext (acessado  em 13/10/2011)

 

RIBEIRO, Thiago. Email e Blog:“gêneros textuais” ou veículos de comunicação? Disponível em: http://www.hipertextus.net/volume2/Tiago-Silva-RIBEIRO.pdf (Acessado em 13/10/ 2011)

 

SCHITTINE, D. Blog: Comunicação e escrita íntima na internet. Disponível em:< http://books.google.com.br/books?hl=ptBR&lr=&id=ngI1wV8Ba30C&oi=fnd&pg=PA9&dq=blog&ots=fYG0apEnTm&sig=QbUGURX2bErD0rhl4uMGdQPWEZo#v=onepage&q&f=false&gt; Acesso em 12 out.2011

SILVA, O. O. A mediação do blog na formação de jovens leitores. Disponível em: < http://www.cielli.com.br/downloads/270.pdf> Acesso em 13 out.2011

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s