Entre textos e hipertextos

Entre textos e hipertextos

Carla Viana Coscarelli

Não há dúvidas de que a informática e, sobretudo, a internet, tem provocado inúmeras mudanças em nossa sociedade. Já não precisamos mais esperar tempos para uma carta chegar ao destinatário, sair de casa para ir ao banco, ter enciclopédias na estante, fazer supermercado, ir à escola. Podemos conversar com desconhecidos sem que eles nos vejam e sem que saibamos quem são; programar as músicas que a rádio vai tocar; enviar para o destinatário cartões que cantam e dançam; criar histórias animadas sem saber desenhar; entre outras coisas que soariam estranhas há pouco tempo.

A linguagem jamais ficaria de fora de tantas mudanças. Pergunta-se: o que muda na representação da linguagem com tantos avanços tecnológicos?

Uma das mudanças é o aparecimento de outros tipos ou gêneros textuais. Além dos textos que temos em circulação em nossa sociedade letrada, outros aparecem e merecem ser pesquisados com profundidade. Entre eles, podemos citar o chat, o hipertexto, a multimídia, a hipermídia, os banners publicitários, a literatura digital em toda a sua diversidade, e, provavelmente, alguns outros que ainda não somos capazes de mencionar. Antes de tratar desses novos textos, vamos discutir um pouco a noção de texto.

Sobre a noção de texto

Com o advento da informática e, sobretudo, da internet, vários novos textos aparecem e tornam cada vez mais complexa a tarefa, já considerada difícil por BRONCKART (1999), de classificar os textos em gêneros e caracterizar cada gênero textual.

Com esses novos textos, é preciso repensar o sentido da palavra texto, trazendo para ela uma concepção um pouco diferente daquela que tínhamos em mente e nas teorias tradicionais da lingüística. É preciso entrar na semiótica e aceitar a música, o movimento e a imagem como parte dele.

Mas será que não sobrará pedra sobre pedra desse conceito que há tantos anos nos acompanhou? Não precisamos ser tão apocalípticos assim. Afirmar que “existem diferenças macroscópicas entre o hipertexto eletrônico e o texto impresso e que o hipertexto transgride as leis da teoria do texto”, como faz NEITZEL (s/d.), pode ser um exagero. Apesar da dificuldade de se definir um gênero textual, uma vez que os critérios para isso podem variar, modificando também a classificação, deve haver, no conceito de texto atualmente aceito pelos lingüistas, uma parte que continuará sendo válida, quando se consideram os textos oriundos da informática, e uma parte que carecerá de algumas alterações, a fim de poder contemplar também os novos textos.

Algumas alterações devem ser feitas em conceitos de texto comumente usados na Lingüística que podem ter como representante o conceito usado por COSTA VAL (1991): “Um texto é uma ocorrência lingüística, escrita ou falada de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal” (COSTA VAL, 1991:3).

Como foi formulado, esse conceito não parece incluir, propositadamente, recursos não-verbais, uma vez que limita-se aos elementos lingüísticos e, portanto, verbais. Os hipertextos[1], por sua vez, normalmente contam ou podem contar com a presença de imagens, ícones, outras marcas, como os hiperlinks, as barras de rolamento, diferentes formas de mostrar que um botão está ou não ativado, sons, gráficos, animações, vídeos, entre outros.

Outro aspecto da noção de texto que talvez mereça uma revisão é a idéia de unidade semântica. Sem entrar no mérito da discussão sobre o sentido ser construído pelo leitor e não estar no texto, no hipertexto, a unidade semântica parece ser constantemente feita, desfeita e refeita, dependendo dos caminhos que o leitor escolhe para percorrer. Como se pode ver na definição de hipertexto dada por MACHADO (1996:64):

não se trata mais de um texto, mas de uma imensa superposição de textos, que se pode ler na direção do paradigma, como alternativas virtuais da mesma escritura, ou na direção do sintagma, como textos que correm paralelamente ou que se tangenciam em determinados pontos, permitindo optar entre prosseguir na mesma linha ou enredar por um caminho novo.

Quanto à unidade formal, voltamos à dificuldade apontada por BRONCKART (1999) de caracterizar precisamente os gêneros de textos, que os considera  “entidades profundamente vagas” (p.73).

Nas discussões da Teoria do Texto, bem como da Análise do Discurso, transparece a dificuldade de se caracterizar o texto por meio de elementos formais (morfológicos, sintáticos e semânticos) e ressalta-se a importância de se considerar os participantes do discurso e suas intenções comunicativas, apontando para a necessidade de se deslocar “o eixo do enunciado para o da enunciação” (MARI, 2000. p.18).

Uma das características essenciais a qualquer tipo ou gênero textual é o caráter sociocomunicativo e, decorrentes disso, os aspectos pragmáticos envolvidos no ato de comunicação. Todo texto é produzido para ser recebido (não necessariamente compreendido) por alguém; é produzido com alguma intenção comunicativa que o leitor tem o trabalho de tentar recuperar.

Para finalizar essa discussão, apresentaremos alguns conceitos de texto[2] para que possamos refletir sobre as mudanças que o advento do hipertexto provocaria nessa noção:

Todo componente verbalmente enunciado de um ato de comunicação pertinente a um jogo de atuação comunicativa, caracterizado por uma orientação temática e cumprindo uma função comunicativa identificável, isto é, realizando um potencial ilocutório determinado. (SCHIMIDT (1978:163)

É uma unidade de língua em uso (HALLIDAY e HASAN, 1976:1)

Texto, em sentido amplo, designando toda e qualquer manifestação da capacidade textual do ser humano (uma música, um filme, uma escultura, um poema, etc.), e, em se tratando de linguagem verbal, temos o discurso, atividade comunicativa de um sujeito, numa situação de comunicação dada, englobando o conjunto de enunciados produzidos pelo locutor (ou pelo locutor e interlocutor, no caso dos diálogos) e o evento de sua enunciação. (FÁVERO e KOCK,1983:25)

Um texto (um discurso) é um objecto materializado numa dada língua natural, produzido numa situação concreta e pressupondo os participantes locutor e alocutário. (MIRA MATEUS et alii, 1983:185)

O produto de uma atividade discursiva onde alguém diz algo a alguém. (GERALDI, 1993:98)

Um texto é uma máquina preguiçosa que pede ao leitor para fazer parte de seu trabalho. ECO (1994:55)

O texto será o resultado, o produto concreto da atividade comunicativa que se faz seguindo regras e princípios discursivos sócio-historicamente estabelecidos que têm de ser considerados. (TRAVAGLIA, 1997:67)

Vou entender o texto como o produto de uma interação, que pode ser do tipo ‘face-a-face’, como na LF, ou do tipo ‘interação com um interlocutor invisível’, como na LE. (CASTILHO, 1998:55)

O texto é considerado como um conjunto de pistas, representadas por elementos lingüísticos de diversas ordens, selecionados e dispostos de acordo com as virtualidades que cada língua põe à disposição dos falantes, no curso de uma atividade verbal, de modo a facultar aos interactantes não apenas a produção de sentidos, como a fundear a própria interação como prática sociocultural. (KOCH, 1997:26)

Texto não é apenas uma unidade lingüística ou uma unidade contida em si mesma, mas um evento (algo que acontece quando é processado); não é um artefato lingüístico pronto que se mede com os critérios da textualidade; é constituído quando está sendo processado; não possui regras de boa formação; é a convergência de 3 ações: lingüísticas, cognitivas e sociais. (MARCUSCHI, 1998:s/p)

A característica que se repete em todas as definições não diz respeito a aspectos formais do texto, mas ao caráter de mecanismo de interação ou produto de uma situação de comunicação. Com o advento da informática, o conceito de texto parece continuar o mesmo, uma vez que pode tomar infinitas formas para continuar sempre sendo um mecanismo de interação. O que muda são as  formas de manifestação, ou seja, novos gêneros textuais são criados em função de uma nova interface, novas formas de expressão são utilizadas, antigas são retomadas, mas o texto continua sendo instância enunciativa, contrato entre autor e leitor.

Precisamos, agora, saber o que esses novos gêneros, como o hipertexto, exigem, tanto do autor como do leitor, que estratégias precisam ser desenvolvidas e que regras devem ser consideradas para que os interlocutores alcancem seus objetivos na produção e recepção desses textos.

Novos textos

O chat, que é um diálogo on-line, ou seja, uma conversa em que os participantes digitam sua fala, traz uma linguagem muito informal e cheia de particularidades. “A objetividade e a rapidez são elementos básicos para se constituir um bom ‘navegador’” (FERREIRA, 2000). A pressa é um fator que está presente em tudo o que concerne às novas tecnologias. A palavra de ordem é agilizar, não perder tempo. A falta de paciência dos internautas pode ser vista no trecho de uma conversa realizada na sala de bate-papo do UOL, em setembro de 2000, citada por FERREIRA (2000).

Shaskespeare Apaixonado[3] – entra na sala

Shaskespeare Apaixonado grita com TODOS: Alguma gata a fim de se entregar aos encantos?

Romântica – entra na sala

Moreno SP fala para Romântica – Vc é Romântica mesmo? Diga um poema para mim.

Gostoso Pelado suspira por Romântica – Vc me quer DELICIA?

Moreno Sarado fala para Romântica – E aí gata, vc já viu seu vizinho pelado?

Moreno SP fala para Romântica – Cd vc???????????????????????????????????????

Romântica fala Moreno SP – Estou aqui, me desculpe, meu computador está lento. Sim sou muito Romântica e vc?

Como se pode perceber nesse trecho, um dos recursos usados no chat a fim de agilizar a conversa é a abreviação: vc (você), cd (cadê), blz (beleza), tc (teclar; interessante que não se convida alguém para conversar e sim para teclar), entre outras. Outro ponto que chama a atenção é que não há preocupação com a norma culta no chat. O registro informal é muito usado nesse tipo de texto, que apresenta algumas características próximas da fala espontânea, tais como: a mudança constante de turno, frases curtas, uso de linguagem coloquial com gírias e expressões populares, discurso fragmentado e referências constantes à primeira pessoa gramatical, uso intenso da função fática, frases incompletas, preferência pela coordenação, formas declarativas na voz ativa, uso freqüente de e, mas, então (SANTOS, 2001).

A informalidade e o rompimento com algumas convenções da escrita padrão são elementos encontrados também nos e-mails. Não se espera em um e-mail muita formalidade, nem muitos protocolos. Esse é um dos pontos da Etiqueta da Net (Netiqueta), documento que pode ser encontrado em qualquer provedor de internet, em que são expostas as mais importantes “regras de etiqueta, especiais para cobrir situações que surgem quando as pessoas se comunicam por meio de uma rede”. Entre essas regras, podemos citar:

As pessoas que se ligam na rede geralmente têm pouco tempo para gastar formatando suas mensagens com maior cuidado, uma vez que está com o computador em linha e o ‘taxímetro’ está correndo. (…) Portanto não se ofenda se a mensagem que receber parecer brusca demais para os padrões convencionais. Do mesmo modo, é comum omitir saudações (‘Prezado Amigo’) e fórmulas concludentes (‘Sem mais, subscrevemo-nos…’) e até mesmo a assinatura, porque seu nome já aparece no cabeçalho.

Só se deve usar letras maiúsculas para enfatizar alguma palavra importante. A letra maiúscula é usada para marcar que o usuário está gritando. Sendo assim, um e-mail todo em maiúsculas pode parecer muito mal-educado.

É comum o uso de símbolos, chamados smileys ou emoticons, para indicar o contexto emocional do que está sendo escrito:

🙂            sorriso, brincadeira

😦            tristeza

😉            piscadela

😐            neutro, não me comprometa

:-O          gritando, voz alta

😎           sorriso (autor usa óculos)

entre muitos outros

Abreviações também são muito comuns: vc (você), tb (também).

Há também, nas Netiquetas, observações sobre o conteúdo das mensagens: “É considerado de extremo mau gosto o envio de propagandas, ‘correntes’ ou cartas-circulares não solicitadas”

Em um dos itens, há um “puxão de orelha” nos professores de português:

Não caia na asneira de responder [alguma mensagem inflamada] de cabeça igualmente quente, começando uma ‘Flame War’ (guerra de chamas). Um tipo especial de guerra é a ‘Spelling War’ que começa quando alguém (geralmente com a melhor das intenções) resolve corrigir a ortografia de um outro. Lembre-se que a maioria das mensagens é teclada às pressas sem revisão, e que ortografia não é o forte da maioria das pessoas (sem mensagens, por favor!).

Note-se que a pressa é uma constante e a informalidade está presente, inclusive, no documento que expõe as etiquetas. O uso de expressões coloquiais, como “não caia na asneira”, “cabeça quente”, de ironias, de parênteses explicativos que apontam para o leitor, e de palavras em inglês dão um tom informal ao texto e são usados, provavelmente, com o intuito de mostrar ao novo usuário o “clima” e o espírito da internet.

Não é intenção deste texto fazer uma análise detalhada dos chats (para isso, remetemos a SOUZA, 2000, FERREIRA, 2000 e SANTOS, 2001) e dos e-mails, mas esses textos, por seu caráter de oralidade e espontaneidade, podem ser uma boa fonte de pesquisa para que se conheça melhor, entre outras coisas, o português falado hoje no Brasil. O que queremos mostrar é que esses novos textos têm características próprias e obedecem a um conjunto de regras e expectativas próximo da oralidade.

Quanto à multimídia, podemos dizer que é uma de suas características a presença de imagens animadas e sons. Esses recursos, que hoje podem ser acrescentados facilmente a qualquer texto digital, ainda não são bem aproveitados em materiais didáticos. Algumas das tradicionais enciclopédias, por exemplo, na mudança do papel para o CD-Rom, não fizeram alterações no conteúdo e apresentam poucas novidades. Elas só transferiram para o formato de hipertexto o que já estava pronto no papel, inserindo algumas imagens e animações. Apesar das poucas ou nenhuma alteração na linguagem, o formato de hipertexto e os mecanismos de busca ajudam o leitor a encontrar mais facilmente o que procura.

Um dos problemas de se usar o som e a imagem nos hipertextos é que costumam tornar lento o acesso à informação, embora hoje a possibilidade de gerar documentos com esses recursos, sem torná-los muito pesados, é cada vez maior.

Dois exemplos da presença da multimídia no texto são os sites e os cartões virtuais. Nos sites costuma haver colunas coloridas, palavras escritas em cores diferentes, que se movimentam; ícones, logotipos, entre outros recursos visuais. Todos esses elementos, acrescidos de animação, de imagens e som podem ser encontrados também nos cartões virtuais. Há até mesmo sites em que o remetente programa a animação do cartão que quer mandar, escolhendo o cenário, as personagens e suas vestimentas, o diálogo entre elas e o fundo musical (www.justoaqui.com.br). “Para que mandar uma imagem, quando se pode mandar um filme?”[4]. Os velhos cartões de Natal, de aniversários e de outras datas comemorativas, não são mais os mesmos. Com a introdução de tantas outras linguagens no cartão, acreditamos que a parte verbal dos textos também tenha sofrido alterações, saindo do tradicional “Feliz …” para textos mais complexos e criativos. O livre e rápido acesso a textos, sites com poemas, letras de música, citações, etc., pode ter contribuído para as mudanças ocorridas nesses cartões.

Com as novas tecnologias, as pessoas têm escrito muito. Além disso, a forma de produção de textos mudou. Por exemplo, estou aqui escrevendo e checando informações em arquivos, em sites, no dicionário eletrônico, etc. O ato de deletar, recortar, copiar, colar muda a forma de pensar a redação[5]. Fazer essas operações é mais fácil e rápido do que desmanchar com borracha ou corretivo ou digitar várias vezes o mesmo texto.

Mas as facilidades que encontramos no computador não garantem a produção de um bom texto. O processo intelectual da escrita ainda continua sendo feito a “duras penas” pelos neurônios do autor. Além disso, os textos em novas tecnologias têm suas exigências. Assim como acontece no e-mail e no chat, que têm suas regras e convenções, o leitor de hipertexto também faz suas exigências.

O hipertexto é, grosso modo, um texto que traz conexões, chamadas links, com outros textos que, por sua vez, se conectam a outros, e assim por diante, formando uma grande rede de textos.

Por essa infinita possibilidade de conexões, a palavra hipertexto foi usada por LÉVY (1993) como metáfora do conhecimento. Essa metáfora, na verdade, retoma a teoria dos esquemas, segundo a qual o conhecimento é uma rede de relações que se acredita haver entre os constituintes de um determinado conceito.

Quando ouço uma palavra, isso ativa imediatamente em minha mente uma rede de outras palavras, de conceitos, de modelos, mas também de imagens, sons, odores, sensações proprioperceptivas, lembranças, afetos, etc. (LÉVY, 1993:23)

Devemos entender que essa rede de relações se modifica a todo momento, ou seja, a ativação de um elemento estimula muitos outros ligados a ele, desencadeando a ativação de vários outros elementos. Sendo assim,

o objetivo de todo texto é o de provocar em seu leitor um certo estado de excitação da grande rede heterogênea de sua memória, ou então orientar a sua atenção para uma certa zona de seu mundo interior, ou ainda disparar a projeção de um espetáculo multimídia na tela de sua imaginação.

Não somente cada palavra transforma, pela ativação que propaga ao longo de certas vias, o estado de excitação da rede semântica, mas também contribui para construir ou remodelar a própria topologia da rede ou a composição de seus nós. (LÉVY, 1993:24)

Esses trechos de LÉVY (1993) exemplificam a semelhança entre a noção de hipertexto e a teoria dos esquemas, mostrando que ambos os conceitos buscam explicar mecanismos mentais usados na compreensão, ou seja, na construção do conhecimento.

As discussões a respeito da noção de hipertexto, mesmo considerando um conceito mais restrito desse termo, são inúmeras, e podemos até mesmo nos perguntar se há algo de novo nela. Um índice não seria uma forma de hipertexto? As notas de pé de página também não são hipertexto? Parece que sim. Nesses casos, há sempre um texto que remete a outros. A diferença parece estar no acesso direto à informação que o link fornece. Ao clicar no link, o leitor é transportado imediatamente para o outro espaço, e talvez dele vá para outros espaços, não retornando ao anterior.

Linear?

A questão da linearidade da leitura gera discussões calorosas quando a noção de hipertexto está em pauta. Sabemos que, embora aparentemente linear, o texto tradicional apresenta uma hierarquia entre seus elementos constituintes que o torna uma entidade hierarquicamente construída. Essa hierarquia é normalmente marcada no texto de várias maneiras, começando por título e subtítulos, que, quando prototípicos, marcam os elementos mais importantes do texto e, conseqüentemente, os mais altos na hierarquia das proposições.

Há também outros componentes do texto que sinalizam o grau de importância de algumas entidades. Entre eles, podemos citar os mecanismos de retomada e de remissão, como os elementos anafóricos e dêiticos. Sabemos que as entidades que aparecem com mais freqüência no texto têm status diferente daquelas que aparecem uma só vez ou poucas vezes. A hierarquia dos elementos em um texto pode ser marcada, também, por relações lógicas como a rede causal e as relações temporais, por exemplo, que envolvem algumas partes ou vários elementos do texto. A relação causa / conseqüência entre partes do texto e a seqüência dos fatos e acontecimentos pode ser um marcador da hierarquia no texto e, certamente, interferem no trabalho do leitor de construir um sentido para ele.

O fato de a hierarquia estar sinalizada de várias formas não garante que o leitor reserve a essas partes ou elementos do texto um lugar especial em sua memória. Há outros fatores que podem interferir na construção da hierarquia das informações geradas na leitura, como, por exemplo, os interesses do leitor, seu objetivo na leitura e o conhecimento prévio sobre o assunto. É possível que o leitor alce para uma posição alta na hierarquia proposicional um elemento secundário ou de pouca relevância para a idéia central do texto. Isso pode acontecer quando esse elemento secundário é o alvo de seu interesse ou quando o leitor compreende apenas algumas partes do texto, sendo obrigado, então, a promovê-las a uma posição alta na hierarquia proposicional.

O leitor constrói, durante a leitura, uma representação hierárquica do texto que leu, ou seja, impossibilitado de decorar as frases tal como se apresentam no texto (o que provavelmente geraria muito material inútil na cabeça do leitor) por limitações (ou esperteza) da memória, o leitor acaba por construir uma estrutura hierárquica com as informações que gerou na leitura, mantendo, normalmente, as proposições mais altas nessa hierarquia mais ativadas na memória.

Não há quem duvide do caráter hierárquico do texto linear, mas, se restar alguma dúvida, ela pode ser desfeita na representação que o leitor constrói para o texto. Essa, ninguém mais duvida que seja hierárquica. Num artigo de 1989, SMOLKA já discutia o aspecto da linearidade:

A palavra se lineariza no espaço e no tempo, adquirindo uma organização no processo de sua produção. No momento da leitura, no entanto, a palavra se configura e se dispersa, rompe a linearidade, produz resultados indeterminados, imperceptíveis, muitas vezes intraçáveis, na medida em que, literalmente, incorpora e se articula ao pensamento imagético e verbal do indivíduo (p.28).

Para endossar a posição defendida por SMOLKA (1989), podemos citar os vários estudos que comprovam que os leitores lembram, com mais freqüência e por mais tempo, as informações que tinham status mais alto na hierarquia proposicional do texto, isso significa que as macroproposições de um texto costumam ser mais lembradas que os detalhes dele.

O texto convencional é tido como linear porque as palavras vêm umas depois das outras, assim como os parágrafos, os capítulos e assim por diante. Isso não significa que todos os textos são lidos na seqüência proposta pelo autor, e há muitos textos que estimulam a leitura não-linear. No jornal, por exemplo, já na primeira página há inúmeras chamadas para outras páginas e partes. Não há nenhuma indicação, ao contrário do que acontece, normalmente, nos romances tradicionais, de que a leitura deve seguir a seqüência das páginas.

No entanto, mesmo que o leitor siga as páginas do livro, a leitura, ou seja, a representação que constrói para o texto, não é linear. Na leitura, o leitor deve separar o que é informação relevante para os seus propósitos, construindo uma hierarquia dos significados, separando o que é informação principal de secundária. Fazendo isso, ele será capaz de perceber qual a idéia central, ou seja, aquela que permeia todas ou a maioria das proposições que construiu para o texto. Muito provavelmente, lê-se construindo e relacionando tópicos e subtópicos. Isso parece revelar o caráter hipertextual do nosso pensamento. Um mesmo estímulo é capaz de ativar diferentes sentidos no leitor e outros sentidos em cada novo leitor. Caímos, então, na discussão dos limites do texto, das possibilidades de leitura, se a leitura errada existe ou não, questões discutidas por ECO (1994), COMPAGNON (1999), entre outros. Quantas vezes lemos um texto para saber o que o autor quer dizer e quantas vezes lemos à procura de uma resposta para as nossas perguntas? Quantas vezes uma parte do texto nos leva a outras reflexões e insights que não foram mencionados no texto? Quantas vezes um elemento marcado como mais saliente num texto é a informação que menos nos interessa e a que, conseqüentemente, menos consideramos? Talvez o mais comum seja o leitor usar o texto para fazer suas próprias viagens, e não as intencionadas pelo autor – sinalizadas no texto. Sendo assim, podemos nos perguntar se o caráter hipertextual do nosso pensamento é um ponto a favor dos hiperdocumentos, no que diz respeito a seu processamento.

Cabe a nós perguntar se a estrutura de hipertexto facilita a construção da hierarquia proposicional, mencionada acima, ou seja, a construção de significados. A pergunta talvez seja melhor formulada em termos da influência desse novo “formato” na tarefa de leitura, na execução de determinadas tarefas ou no exercício de habilidades de leitura, uma vez que a primeira pergunta já parece partir do pressuposto de que haverá diferença entre esses tipos de texto e que um deverá fazer com que os leitores apresentem melhores resultados de leitura que o outro (questão difícil de medir quando consideramos a leitura como uma construção de conhecimento, utilizando, entre outras coisas, o texto e quando damos ao leitor autonomia para criar suas perguntas e, por conseguinte, definir os rumos dessa tarefa).

Para alguns autores, como LANDOW, 1992 o hipertexto “obviamente cria leitores mais capacitados, que têm mais condições de lidar tanto com o texto que lêem quanto com os autores desses textos. O hipertexto aumenta a liberdade individual, porque os usuários são inteiramente livres para seguir os links que quiserem” (p. 169).

Esse posicionamento levanta outras questões a respeito do efeito do hipertexto na leitura. Qual a real liberdade do leitor de hipertexto e em que aspectos ela difere da do leitor do texto impresso?

Pensar que a hipermídia vai provocar mudanças drásticas na leitura e na produção de texto pode não ser uma verdade. Considerando o que sabemos sobre os processos psicológicos envolvidos na leitura e na escrita, podemos nos perguntar em que aspectos o hipertexto muda a natureza desses processos.

Ainda outras perguntas podem ser feitas, como: o fato de as relações entre os vários textos que compõem o hipertexto não estarem explicitadas nele interfere na leitura? Explicitar essas conexões facilitaria ou interferiria na leitura?

Há que pesquisar a capacidade do leitor de inferir as conexões entre os vários textos que compõem o hipertexto. Do mesmo modo que ainda temos de pesquisar como o leitor conecta as partes de um texto “linear”/impresso, pois ainda não sabemos ao certo como isso acontece.

Há vários estudos que mostram que o leitor é capaz de inferir conexões não marcadas explicitamente no texto. Mas até que ponto a ausência de conectivos explícitos interfere no trabalho do leitor? Se o leitor tem um objetivo claro de leitura, é provável que isso seja suficiente para que ele consiga conectar os vários textos do hipertexto, mesmo quando eles não estiverem explicitamente conectados, usando seus propósitos para aquela leitura a fim de nortear a tarefa e fazer a “costura” entre as diversas partes do hiperdocumento. Isso não significa que os hipertextos não precisem de organização, e sim que o leitor precisa desenvolver a capacidade de estabelecer essas relações que não estão marcadas explicitamente no texto. Depende do leitor o trabalho de transformar os dados em informação.

Para fechar a discussão sobre a linearidade, vamos lançar mão de um trecho de ALKIMAR (s/d.):

os movimentos dessa nova textualidade são, na verdade, transbordamentos e reformações (reformulações) de um espaço de significações que nunca conseguiu ser linear, mesmo quando exposto na autoritária linearidade plana do papel. Em outras palavras, o texto impresso já carregava possibilidades virtuais de leitura que os instrumentos informáticos tratam apenas de concretizar.

A leitura do hipertexto

Voltando à idéia de hipertexto como um novo formato de texto, as exigências dos leitores desse gênero textual fazem com que ele vá desenvolvendo características próprias. Entre essas exigências, podemos destacar algumas das que foram identificadas por MORKES e NIELSEN (1997). Segundo eles, os leitores da web:

§  preferem a escrita simples e informal;

§  querem conseguir informação rapidamente: sites bem organizados; rápidos;

§  não lêem, ‘eles escaneam[6]’, por isso gostam de texto ‘Escaneável’, isto é, conciso, curto e direto;

§  gostam de resumos e da pirâmide de estilo invertida, ou seja, aquela estrutura do texto em que a conclusão é apresentada em primeiro lugar;

§  buscam qualidade e relevância da informação, o conteúdo é o mais importante para os usuários;

§  procuram credibilidade, se interessam em saber, por isso, quem escreveu o texto;

§  confiam em links para acessar informação confiável;

§  gostam de hiperlinks: mas acreditam que eles podem desviar a atenção quando um site contém links demais;

§  esperam que gráficos e textos se completem;

§  detestam propagandas, querem informação;

§  acham que humor deve ser usado com cuidado.

É interessante notar que, como no chat, o leitor do hipertexto está preocupado com seu objetivo de leitura, quer a resposta para seu problema de forma rápida e sem os elementos que possam retardar o acesso a ela. Sendo assim, desprezam os elementos dispensáveis.

A partir dessas constatações, NIELSEN (1997) apresenta três instruções importantes para quem escreve para a web:

§  “Seja sucinto: não escreva mais que 50% do texto que você escreveria numa publicação impressa;

§  escreva um texto para ser ‘escaneado’, não exija que os leitores leiam longos blocos de texto contínuo;

§  use o hipertexto para separar uma informação muito longa em várias páginas. ”

Num artigo escrito em 1996, NIELSEN apresenta os dez maiores erros cometidos pelos web designers, entre os quais cito os que nos interessam mais diretamente:

§  Incluir elementos constantemente animados;

§  fazer páginas que não indicam a que site pertencem, e que não dão acesso direto à página principal;

§  usar barra de rolagem com textos longos;

§  não fornecer suporte para a navegação, para que o usuário se localize no site e encontre o que procura lá;

§  o uso de cores de forma não-padrão, como por exemplo, fazer links usando outra cor que não o azul ou usar o azul numa palavra que não é link;

§  informação desatualizada;

§  tempo longo para download.

Três anos depois, NIELSEN (1999) mostra que alguns de seus conselhos ainda não são seguidos pelos escritores de hipertextos e levanta outros erros comuns. Talvez seja hora de perguntar por que isso acontece. Para tentar responder a essa pergunta, apresentaremos um experimento realizado pelo próprio NIELSEN (1997), em que ele verificou os benefícios potenciais de alguns estilos de escrita para a rede, identificados em outros estudos anteriores. Foram testadas cinco versões diferentes de um mesmo site:

  1. Versão de Controle    – estilo promocional (marketizado), com exageros, afirmativas subjetivas, auto-elogios, em vez de fatos.
  2. Versão Concisa – escrita promocional, com texto muito menor e usando a pirâmide invertida.
  3. Versão Scaneável       – texto marketizado, mas escrito para encorajar o escaneamento, com texto esquemático, negrito para destacar partes do texto, seções pequenas e mais títulos
  4. Versão Objetiva – sem marketing, apresenta a informação sem exageros, sem afirmativas subjetivas e sem auto-elogios
  5. Versão Combinada – versão com o menor número de palavras, feita para ser escaneada e sem marketing.

Os sujeitos tiveram como tarefa encontrar informações específicas no site e depois responder a um breve questionário. Outra tarefa era avaliar o site, e a última, explorá-lo por dez minutos e aprender o máximo possível sobre ele. Depois disso, pedia-se aos participantes para desenhar, da melhor maneira possível, a estrutura do site.

Entre as cinco versões apresentadas, os participantes que tiveram acesso à versão Concisa e à versão Escaneável foram os que apresentaram melhores resultados em comparação com a versão de Controle. A versão Objetiva também obteve resultados melhores que a de Controle. No entanto, a versão Combinada foi a que apresentou melhores resultados entre todas, pois os participantes realizaram as tarefas com mais rapidez e com menos erros do que aqueles que trabalharam a versão de Controle, além de terem guardado melhor na memória o conteúdo do site e de manifestarem os maiores índices de satisfação subjetiva.

Se levarmos em consideração os resultados dessa pesquisa, podemos concluir que o ideal de um hipertexto é que ele seja escaneável, conciso e objetivo.

É possível e provável que, na grande maioria dos casos, essas sejam as melhores escolhas no momento da construção de um hipertexto. No entanto, se considerarmos a existência de gêneros textuais, ou seja, a existência de textos com características diferentes uns dos outros, se considerarmos, também, que essas características costumam sofrer variações em função da situação de interlocução, e se, além disso, considerarmos que o hipertexto talvez não deva ser visto como um gênero só, mas como um “formato” que vai acolher diferentes gêneros, devemos entender as instruções de NIELSEN como conselhos a serem observados e não como regras absolutas a serem seguidas.

Como em toda situação experimental, os resultados dos experimentos realizados por NIELSEN revelam o que aconteceu numa situação de leitura específica, com leitores, propósitos de leitura e textos determinados. Como os leitores testados eram americanos, podemos nos perguntar se os internautas brasileiros se comportam da mesma forma. Quanto à situação de leitura e de produção de hipertextos (textos para a web), será que esses textos são sempre lidos da mesma forma? Devem ser escritos sempre da mesma maneira? As teorias que discutem a pragmática, a enunciação, o discurso, não se aplicam aos hipertextos?

Muitas das diferenças entre os hipertextos vão depender dos propósitos do site e do leitor que ele quer atrair. Um site de uma universidade não pode ser como o de uma emissora de rádio. Uma emissora de rádio para jovens não pode ser como uma para adultos. É muito provável que quem vai a um site de museu tenha um pouco mais de paciência para ver as imagens que procura, assim como quem vai fazer uma pesquisa no site de uma universidade ou de algum teórico não se importa de encontrar textos grandes e com barras de rolamento. Sendo assim, talvez não seja interessante formular e acreditar em regras iguais e rígidas para todos os sites em relação a alguns quesitos, no caso dos exemplos citados, o tempo de download o tamanho dos textos.

As variações que encontramos nos textos impressos e de outras mídias, em função dos seus propósitos e público-alvo, deveriam ser transferidas para o hipertexto.

Perceber o hipertexto como um novo formato para diferentes gêneros textuais talvez justifique algumas das teimosias dos produtores de textos para a web, citadas por NIELSEN(1999).

Numa de minhas aulas para uma turma do curso de Comunicação Social, uma aluna disse que se arrepia de horror quando vê sites cheios de exclamações. Pensando que a exclamação pode ser usada, a exemplo do que acontece no chat, para marcar a presença da oralidade no texto e, conseqüentemente, tentar ser uma forma de aproximação com o leitor, por que não usar a exclamação? Em vez de abolir a exclamação e outros recursos de pontuação e notação, talvez seja melhor pensar como e em que (hiper)textos ela deve ser usada e com que propósito, para provocar que efeitos no leitor e com que tipo de leitor ela deve ser usada. Não se espera um texto cheio de exclamações e reticências num site que se propõe divulgar artigos acadêmicos, uma vez que esses sites têm que, entre outros objetivos, transparecer confiabilidade e seriedade. Por outro lado, num site de fofocas para jovens, ou de vendas de produtos populares, esse talvez seja um recurso indispensável.

As diferenças na leitura e na produção do texto “linear” e do hipertexto precisam ser pesquisadas para que possamos conhecer e, conseqüentemente, explorar da melhor maneira possível esse novo meio. MIALL (2000) relata, em um de seus experimentos, algumas reações diferentes dos leitores de um texto literário.

Num experimento em que leitores leram o mesmo texto – um grupo leu o texto impresso e o outro leu o mesmo texto em formato de hipertexto –, os leitores do texto impresso não tiveram problemas com a leitura, ao passo que os leitores do hipertexto sentiram que a leitura ficou incompleta e vários ficaram inseguros quanto aos resultados. Esses problemas podem ter sido gerados pelo fato de os leitores estarem mais acostumados a ler o texto impresso, problema que provavelmente será superado em pouco tempo pelos leitores acostumados com a leitura de textos nesse novo formato.

Uma nota adicionada[7] ao texto de NIELSEN (Top ten mistakes), escrito em 1996, mostra uma mudança de comportamento dos usuários. Em 1996, um dos erros de páginas da web apontados por NIELSEN é a presença de páginas longas, que exigiam o uso da barra de rolamento, uma vez que “apenas 10% dos usuários rolava a barra para ver além da informação visível primeiramente na tela”. Nessa nota, o autor menciona que “estudos mais recentes mostram que os usuários utilizam mais a barra de rolagem atualmente do que faziam poucos anos atrás”. De onde se pode concluir que, com o passar do tempo, e com o contato constante com os recursos do hipertexto, os hábitos dos leitores podem mudar.

Considerações finais

Não tínhamos a pretensão de trazer respostas neste texto, apenas procuramos mostrar como são ricos o hipertexto e os outros textos das novas tecnologias. Precisamos buscar respostas para muitas perguntas sobre os mecanismos mentais e estratégias cognitivas que os sujeitos usam na produção e na compreensão dos mais diversos textos, que nos incomodavam antes mesmo do advento da informática e para as quais ainda não temos respostas. Precisamos obter respostas para perguntas, muitas delas simples, que, no entanto, exigem o trabalho de busca de novos referenciais teóricos, novas lentes, para que possamos compreender que mudanças as novas tecnologias estão provocando nos textos, na forma de ler e de produzir textos e, conseqüentemente, nas formas de pensar.

Referências bibliográficas

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[1] Por ser a palavra mais usada para tratar de hiperdocumentos, estamos usando o termo hipertexto para designar também os documentos em hipermídia.

[2] Escolhemos aqui, entre uma vasta gama de possibilidades, autores representativos da Lingüística ou que influenciaram os estudos de lingüística textual no Brasil.

[3] Os apelidos merecem um estudo à parte, pois, se não revelam traços da personalidade do chatter, deixam transparentes as suas intenções.

[5] Para não dizer que muda a nossa forma de pensar. Muitas pessoas têm confessado a vontade de deletar algumas ações executadas fora do computador ou de dar um back de vez em quando. Isso nos faz lembrar cenas do filme “Muito além do jardim”, em que a personagem sai pelo mundo querendo trocar com o controle remoto as cenas que não a agradavam.

[6] Os leitores apenas escaneiam o texto, isto é, correm os olhos pela página, tentando entender algumas palavras ou frases que os levem até a informação procurada.

[7] Essa nota foi adicionada ao artigo de 1996 em 2001.

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