AME-OS OU DETESTE-OS: NAVEGANDO NO PANORAMA DE LETRAMENTOS EM TEMPOS DIGITAIS*

AME-OS OU DETESTE-OS:

NAVEGANDO NO PANORAMA DE LETRAMENTOS EM TEMPOS DIGITAIS*

 

 Ilana Snyder

 

No passado, na década de 90, a escrita e o discurso acadêmicos sobre novas mídias freqüentemente incluíam uma referência ao escritor de ficção científica Willian Gibson. Receio ainda estar presa a essa tendência. É à capacidade de Gibson de criar novas palavras e de dar novos significados às antigas que eu chamo atenção. Ele nomeou alguns dos critérios culturais da sociedade tecnológica em que vivemos. Em Neuromancer, publicado em 1984, Gibson cunhou a palavra ciberespaço, que ele explicou como sendo uma matriz de “sistema brilhante de vigas cruzadas de desdobramento lógico através do vácuo sem cor” (GIBSON, 1986, p. 11) – uma “alucinação consensual” (GIBSON, 1986, p. 12).

Em seus mais recentes romances, Pattern Recognition e Spook Country, Gibson (2003, 2007) mudou-se do território da ficção científica e se estabeleceu, de modo quadrado, no presente. Spook Country é povoado por “facilitadores ilegais”, revistas não existentes, terrorismo, piratas, viciados em heroína, negociantes dementes de arte e de armas de destruição em massa. Como sempre, as personagens femininas são brilhantemente desenhadas. Nesta ocasião, é Hollis Henry, uma jornalista investigativa de uma revista chamada Node, que ainda não existe. Em Pattern Recognition, é Cayce Pollard, uma caçadora moderada, cujos clientes querem saber o que funcionará comercialmente e pagarão a ela muito dinheiro para descobrir.

Quando Spook Coutry foi lançado no ano passado, Andrew Leonard (2007) do Rolling Stone perguntou a Gibson se ele tinha perdido o interesse pelo futuro. Gibson respondeu:

Tem a ver com a natureza do presente. Se alguém tivesse ido conversar com uma editora, em 1997, sobre um enredo para um romance de ficção científica que situasse verdadeiramente o cenário para o ano 2007, ninguém compraria algo do tipo. É complexo demais, com muitos tropos enormes de ficção científica: aquecimento global; a mortal, sexualmente transmitida deficiência do sistema imunológico; os Estados Unidos, atacados por terroristas loucos, invadindo o país errado. Qualquer um desses teria sido mais do que adequado para um romance de ficção científica. Mas se você sugerisse fazer todos eles e apresentá-los como um futuro imaginário, eles não apenas iriam mostrar a porta a você, mas também provavelmente chamariam a segurança.

Quando Leonard perguntou: quais são os maiores desafios que nós enfrentamos? Gibson respondeu: “Vamos por aquecimento global, apogeu do petróleo e computação ubíqua”. Dos três desafios de Gibson, “computação ubíqua” tem a maior saliência para a educação do letramento nos tempos digitais. Em Spook Country, Gibson usa o termo para capturar a nova ontologia, mas ele não o inventou. “Computação ubíqua” é atribuído a Mark Weiser que trabalhou na Xerox no final da década de 80. Uma outra possível fonte é o romance Ubik, de 1969, escrito pelo formidável escritor de ficção científica, Philip K. Dick, cujo trabalho Gibson sempre admirou. Contudo, em Spook Country, Gibson atribui à “computação ubíqua” um novo significado e importância. Explica Gibson:

Uma das coisas que nossos netos irão achar muito estranho sobre nós é que distinguimos o digital do real, o virtual do real. No futuro, isso se tornará literalmente impossível. A distinção entre ciberespaço e o que não é ciberespaço se tornará inimaginável. Quando escrevi Neuromancer, em 1984, ciberespaço já existia para algumas pessoas, mas eles não gastavam todo seu tempo lá. Então, ciberespaço estava lá, e nós estávamos aqui. Agora, ciberespaço está aqui para muitos de nós, e tem se tornado qualquer estado de relativa desconectividade. é onde eles não têm Wi-Fi.

Em um mundo de computação superubíqua, você não vai saber quando você está conectado e quando você está desconectado. Você sempre estará conectado, em algum tipo de estado de realidade coligada. Você apenas pensa sobre isso quando alguma coisa dá errado e fica desconectado. Daí, essa coisa se torna um empecilho.

Nós ainda não alcançamos o estado da computação ubíqua, mas, novamente, Gibson está ciente de algo. É uma idéia que podemos guardar, achar difícil de compreender e reexaminar ao passo que o panorama do textual e da comunicação continua a mudar rapidamente, dramaticamente e de maneiras imprevisíveis.

Na entrevista a Rolling Stone, Gibson também sugeriu que estivéssemos vivendo no que a teoria pós-moderna de Fredric Jameson chama de “apreensão simultânea de temor e êxtase” ou, como eu expressei no título deste artigo, uma condição de ambos “amar e detestar” as novas mídias. Um estado de extrema ambivalência, a meu ver.

Posições polares sobre o uso das novas tecnologias para propósitos educacionais são familiares para todos nós. Em um extremo, há os promotores do último estouro tecnológico inteligente, celebrações da vida online e predições da otimização do ensino e aprendizagem quando a mais avançada tecnologia aparecer. No outro, há a ninharia nostálgica a favor do livro e da cultura do livro, críticos violentos dos computadores, dos vídeos-game e da internet, e expressões de pânico moral sobre os perigos à espreita das crianças no ciberespaço.

Textos que admitem tais posições extremas têm um impacto cultural enorme, moldando as formas que nós pensamos sobre as novas tecnologias. Sendo tanto consumidores da cultura quanto professores do letramento, nós precisamos ser capazes de identificar esses textos, entendê-los e achar formas efetivas de lidar com eles em nossas salas de aula. Por quê? Porque isso é parte da nossa responsabilidade profissional em tempos digitais. Retornarei a esse argumento em breve, mas primeiro vamos dar uma olhada em alguns exemplos de textos que celebram ou demonizam as novas tecnologias.

Textos que celebram as novas tecnologias são muito fáceis de encontrar. A capa da revista Time, que anunciou a pessoa do ano em Dezembro de 2006, é um exemplo clássico. Na capa, havia um computador de mesa com um espelho no lugar de sua tela. Lia-se no título: “Você. Sim, você. Você controla a Era da Informação. Bem-vindo ao seu mundo”. Aquela edição de Natal reverenciou as pessoas que estavam mudando a natureza da era da informação – os criadores e consumidores do conteúdo gerado pelo usuário que está transformando a arte, a política e o comércio. O Editor Chefe, Richard Stengel (2006, p. 4), disse que eles são “os cidadãos engajados da nova democracia digital”.

Vinte e sete páginas da revista foram dedicadas à emocionalmente excitante Web 2.0 – um termo usado mais ou menos de forma permutável com a mídia social nesses dias. Embora estabelecer uma rede de contatos e interagir online tenham sido disponíveis desde o lançamento da Web no começo dos anos 90, os avanços na tecnologia têm possibilitado que ferramentas de programas sociais, como os blogs, os wikis e a conferência virtual agora também permitam aos usuários carregar fotos, vídeos e músicas. Como o crescimento extraordinário da Wikepedia, MySpace, FaceBook, You Tube e Twitter tem demonstrado, mídias sociais é o que importa hoje – pelo menos até uma próxima tecnologia melhor aparecer.

O fragmento introdutório na Time declara que a Web 2.0 proporciona às pessoas comuns oportunidade de “construir um novo tipo de compreensão internacional” (GROSSMAN, 2006, p. 25). Isso foi seguido por quinze descrições de cidadãos da nova democracia digital, incluindo Leila, a real Loneleygirl 15, uma das mais vistas pelos usuários do You Tube, que é um trabalho de ficção criado por dois roteiristas de cinema profissionais e uma atriz da Nova Zelândia. Em seguida, duas páginas sobre o poder de alguém, com uma câmera digital, “mudar a história” (PONIEWOZIK, 2006, p. 44), iniciando com a estória do espectador curioso que filmou a polícia batendo em Rodney King.

Isso tudo seguido de um fragmento maior que celebrou os “gurus” do You Tube, Chad Hurley e Steve Chen, “um casal de rapazes comuns” que criaram a companhia que “mudou a maneira como nos vemos” (CLOUD, 2006, p. 46-47). Qualquer presença de crítica foi deixada para as últimas duas páginas: um fragmento questionou a celebração de si, intrínseca para a geração atual, e a outra lamentou o “vasto crescimento na quantidade e qualidade da mudança de rumo do lixo puro, mesmo quando medido em relação à escória da banca de jornal e ao espectro do cabo” (JOHNSON, 2006, p. 55).

A saudação de Time para os cidadãos do ciberespaço pela Pessoa do Ano em 2006 foi parte da tradição da escrita sobre novas tecnologias que não é exclusiva das mídias impressas. Primeiramente, foi o hipertexto, daí, foi a Internet e o World Wide Web, agora é a Web 2.0, com pessoas realmente ponderadas falando sobre a Web 3.0. Entusiastas dotam novas mídias com promessas utópicas e discutem-nas de forma comemorativa. A esperança é para a mudança social e cultural impulsionada pelas últimas tecnologias de informação e comunicação.

Dois escritores de livros populares em novas mídias, Ted Nelson e Howard Rheingold, consubstanciam esse gênero. Em Dream Machines, Ted Nelson (1978) imaginou a World Wide Web antes que a tecnologia que a torna possível estivesse disponível. Nomeando seu projeto em homenagem ao poema Xanadu de Coleridge, ele conjetura um sistema que possibilitaria o armazenamento da herança humana por inteiro, tornando-a mais acessível do que nunca. Sua explicação para o propósito do Xanadu era imbuída de fervor utópico: “Nosso objetivo no projeto Xanadu não foi satisfazer as necessidades da indústria, ou fazer as coisas acontecerem um pouco mais rapidamente ou eficientemente. Nós mesmos fomos o único exato objetivo: criar um novo mundo” (NELSON, 1992, p. 56-57).

No The Virtual Community, Howard Rheingold (1995) descreve uma comunidade onde as pessoas conversam, discutem, procuram por informação, organizam-se politicamente, apaixonam-se e enganam outras – a seus olhos, tão real e diverso como qualquer comunidade física. Em Smart Mobs (2002), Rheingold olhou para a convergência da cultura popular, a mais recente tecnologia e o ativismo social como o real impacto das tecnologias móveis tais como telefones e computadores portáteis. Os livros de Rheingold repercutem o tom distinto da edição especial de Time.

O gênero comemorativo também se torna saliente na imprensa. Quando jornalistas escrevem sobre as novas mídias e educação, eles freqüentemente concentram-se em como as tecnologias estão mudando as escolas para melhor. Quando a escola do futuro de Bill Gates abriu em Setembro de 2006, ela foi reportada como uma oportunidade da Microsoft de “provar que ela podia ajudar a consertar a calamidade da educação pública” (YAO, 2006). A escola foi descrita como “um vislumbrante recurso transparente e moderno olhando cuidadosamente os lugares entre as filas de lares caindo aos pedaços em um bairro de trabalhadores no oeste da Filadélfia”. Ela tem um edifício de alta tecnologia, laptops, acesso sem cabo (wireless), fechaduras digitais, quadros inteligentes e interativos, e um processo de aprendizagem modelado nas técnicas de administração da Microsoft. Os alunos são “aprendizes”, os professores são “educadores” e não há biblioteca, mas um centro interativo de aprendizagem onde a informação é digital e as especialistas multimídias ajudam os estudantes com suas dúvidas.

Exemplos de textos que demonizam as novas tecnologias são igualmente fáceis de serem encontrados. Os detratores da tecnologia prevêem a morte do livro, que é vista por eles como sinônimo da morte da civilização. Eles descrevem seu amor pelo livro impresso, as primeiras memórias da leitura na infância, subseqüente hábito e contínuo romance, reforçado pelos prazeres da propriedade. Novas formas de escrita são disseminadas como uma ameaça à santidade da língua inglesa.

Um exemplo antigo desses tipos de textos foi o Guttenberg Elegies, de Sven Birkert, publicado em 1994. Birkert escreveu de maneira bastante elegante sobre a ameaça da cultura do hipertexto. Um outro livro, dessa vez escrito por um autor australiano, John Nieuwenhuizen, foi publicado em 1997. Em Asleep at the Wheel: Australia on the superhighway, Nieuwenhuizen adverte sobre os perigos de seguir o itinerário da auto-estrada da informação (information superhighway). Você se lembra do primeiro presente lingüístico de Al Gore para o mundo, antes de Uma Verdade Inconveniente (An inconvenient truth)? Foi a auto-estrada da informação, uma metáfora que, desde então, tem sido suplantada pela noção das redes de computadores. A “computação ubíqua” será o próximo caminho a se pensar sobre o acesso à tecnologia?

Os escritores desses textos associam o uso das tecnologias digitais com a trivialidade e a grosseria da cultura popular argumentando que as novas tecnologias tais como jogos de computador não têm espaço algum na educação do letramento. A Internet está em algum lugar em que as crianças e os jovens talvez passem seu tempo fora das horas que passam na escola, mas isso não justifica seu uso na educação formal. Os detratores também expressam sua profunda preocupação com o acesso aberto das crianças às indesejáveis fontes e informações por meio da Internet.

Em um artigo no The Age, um jornal diário em Victoria, Austrália, pertencente à Fairfax Media Limited, Pamela Bone (2004) disse: “[s]e a leitura decair então todos nós decaímos”. Escrevendo em resposta à sugestão de um outro comentarista que “na cultura de hoje, as habilidades de um letramento elegantemente efetivo não são simplesmente tão importante quanto elas um dia foram… por fazer seu caminho no mundo”, Bone argumentou que apenas os livros proporcionam os recursos para explorar o significado da vida. Uma leitura séria demanda “tempo e paciência” e “solidão” que é “contra o espírito dessa era hiperativa”. Bone associa a profundidade com livros e a superficialidade com as novas mídias – seu temor era que uma geração iletrada se erguesse das mensagens de texto, da navegação da Internet e dos vídeos-game.

Contudo, nem todas as celebrações do livro e da cultura do livro são tão afáveis como os exemplos oferecidos até agora. A preferência cultural prolongada pelo livro e a tecnologia impressa é uma dimensão ideal da desaprovação conservadora dirigida ao ensino de inglês e aos currículos na Austrália. Uma questão, no ano de 2005, sobre os exames de inglês avançado ano 12 no Novo Sul do País de Gales, Austrália, ofereceu aos estudantes “uma escolha de ‘textos’ para análise, incluindo o site do ATSIC (Aboriginal and Torres Strait Islander Commission), esboçando o julgamento que sua inclusão era um insulto aos clássicos” (LANE, 2005). Um currículo estadual que reconheceu a importância de ensinar aos alunos como avaliar criticamente os espaços das novas mídias foi veementemente atacado.

No dia seguinte “Sticking to the book” era o cabeçalho do editorial do Australian (2005). O editorial atacou os estudantes que tinham denunciado as críticas dos cursos de inglês e seus professores como reportou em Sydney Morning Herald. O editorial argumentou que embora a análise crítica possa ser um componente fundamental de qualquer curso de inglês: “livros – não blogs, nem a coisa efêmera digital, mas livros” devem ser utilizados para estudo.

Profundamente conectado com textos que vêem as novas tecnologias como produtoras apenas de conseqüências culturais negativas está um forte sentimento de inquietação. Tais medos não são novos. Desde os primeiros dias da televisão, houve preocupação sobre os efeitos da TV nas crianças, na educação, no letramento e na cultura, bem como recomendações feitas para o controle de seu conteúdo e para a supervisão rigorosa. Cada tecnologia sucessiva tem sido vista como tendo uma influência negativa nas crianças – por sancionar valores inapropriados e por representar experiências assustadoras e violentas.

Não é surpresa alguma que existam inquietações semelhantes em relação ao acesso da criança à Internet, ao ciberespaço e aos jogos de computador, considerado extensamente como inerentemente perigoso exceto se controlado. O papel dos governos e das escolas para regular as novas tecnologias nos interesses das crianças vulneráveis está no centro do interesse público.

Então, quando a acadêmica Victoria Carrington (2005) foi entrevistada no rádio sobre a estudante escocesa de 13 anos de idade que enviou sua experiência escrita em caracteres usando seu telefone celular, as perguntas da jornalista levaram a uma direção particular:

My smmr hols wr CWOT. B4, we used 2go2 NY 2C my bro, his GF & thr 3 :- kids FTF. ILNY, it’s a gr8 plc’.

Tradução: Minhas férias foram uma total perda de tempo. Antes, nós íamos a Nova York para ver meu irmão, sua namorada e seus três filhos engraçados cara a cara. Eu amo Nova York. É um lugar formidável (My summer holidays were a complete waste of time. Before, we used to go to New York to see my brother, his girlfriend and their three screaming kids face to face. I love New York. It’s a great place).

A jornalista perguntou a Carrington sobre o estilo distinto dos caracteres comparando-os com a forma correta de escrita e a correta gramática, e então procedeu a vincular essa produção com a juventude, o declínio de padrões, o empreendimento acadêmico empobrecido e o desarranjo social. Quando Carrington analisou um número de artigos impressos discutindo essa forma de produção textual, ela achou que os jovens e os padrões estão muito mais freqüentemente representados como precisando de proteção de um vício que poderia pôr em perigo seus sucesso em exames e seu futuro educacional.

Tomando um outro exemplo: Quando dois alunos de dezesseis anos no ensino médio foram encontrados mortos no Dandenong Ranges, leste de Melbourne, a imprensa relacionou o suicídio ao MySpace. Com uma imagem de duas garotas e sua última mensagem, “Descansem em paz, Jessica & Mel” (nomes fictícios), postada em seu website, a inferência foi de que a Internet é um lugar perigoso para os jovens (ex. CUBBY; DUBECKI, 2007). Através da inserção da palavra “MySpace”, os jornalistas fizeram a estória parecer emocionante. Contudo, todas as evidências sugeriram que as garotas não cometeram suicídio porque elas escreveram sobre depressão na Internet. Elas escreveram sobre depressão na Internet porque MySpace era um lugar para a expressão de si mesmo e a comunicação como ele ainda o é para muitos outros jovens.

Um grau de cautela e perspectiva crítica sobre as tecnologias digitais é conveniente e apropriado. Sem dúvidas, as tecnologias tais como a Internet e a produção de caracteres permitiram certos comportamentos sociais indesejáveis e deram a algumas pessoas o anonimato que elas precisavam para ludibriar o suscetível. Contudo, as crianças podem se tornar presas se colocadas em qualquer lugar que elas escolherem para divertimento, e os professores podem ser vítimas de coação, através do website ou em uma carta anônima endereçada ao seu superior. A história sugere que um senso de preocupação e pânico moral é injustificado uma vez que as velhas tecnologias também têm sido usadas para vincular as crianças com conteúdo adulto inapropriado e publicidade agressiva. Riscos podem ser exagerados com a finalidade de se ter uma estória, mas produzir um pânico moral não informa ou conduz ao debate sensato público ou à orientação política.

Como sugeri antes, em tempos digitais onde textos que assumem posições extremas sobre as novas tecnologias representam um aspecto dominante do nosso panorama cultura, temos um conjunto de responsabilidades adicional. Precisamos nos assegurar que nossos alunos adquiram competência crítica para que compreendam o panorama do letramento contemporâneo e então possam participar efetivamente na vida após a escola e no trabalho como cidadãos informados e ativos. Proporcionar oportunidades cuidadosamente estruturadas para os alunos desenvolverem as habilidades do letramento e um forte senso de ceticismo instruído é mais importante do que nunca.

Para ser capaz de fazer bem esse trabalho, é útil considerar o conhecimento que os pesquisadores têm acumulado na área de estudo sobre letramento e tecnologia. Primeiramente, as diferentes formas de pensar a tecnologia que têm tido um impacto significante na maneira que a tecnologia é representada. Segundo, há muito para ser aprendido a partir do exame dos resultados das pesquisas na área de estudos do letramento e da tecnologia. Terceiro, é salutar olhar como os professores do letramento têm respondido ao chamado de integrar as novas mídias em seus currículos e pedagogia. Tenho expressado essas áreas importantes do conhecimento em três perguntas: Quais as formas dominantes em que os pesquisadores pensam a tecnologia? O que as pesquisas nos dizem a respeito da maneira como o uso das tecnologias digitais afeta as práticas letradas dos alunos e sua aprendizagem? Como os professores do letramento, bem como os professores de maneira geral, têm respondido ao uso das tecnologias computacionais na educação?

Primeiramente – Quais as formas dominantes em que os pesquisadores pensam a tecnologia? Diferentes formas de pensar sobre as novas tecnologias modelam os tipos de perguntas que os pesquisadores fazem sobre seus efeitos e como elas são organizadas nas escolas e nas salas de aula. Uma abordagem particular domina o discurso público e alguns periódicos escolares: o determinismo tecnológico e social. Ambas as formas de determinismo têm suas fraquezas conforme designam muito poder para a tecnologia ou para a pessoa que faz uso dela.

A principal idéia por detrás do determinismo tecnológico é que as qualidades na tecnologia são responsáveis por mudanças que inevitavelmente afetam as relações sociais. A linguagem do determinismo tecnológico é simbolizada por frases em que a tecnologia aparece como o sujeito ativo de uma afirmação: “os computadores aumentam a aprendizagem dos alunos”, “a Web democratiza a disponibilidade da informação”, “a Web 2.0 tem mudado a forma que nós concebemos o mundo”. Em cada caso, um evento complexo é criado para parecer o resultado de uma inovação tecnológica.

O determinismo social é o inverso. Como exemplificado na estória do Time, há o argumento de que aqueles que usam a tecnologia têm ação, e controle sobre como ela é usada. Nas palavras do Editor Chefe de Time (STENGEL, 2006, p. 4): “Nós escolhemos colocar um espelho na capa porque ele literalmente reflete a idéia que você, não nós, está transformando a era da informação”. As pessoas, não a tecnologia, são retratadas como as responsáveis pelo fenômeno da democracia digital.

Das muitas teorias sociais e tecnológicas disponíveis, a domesticação oferece uma forma particularmente produtiva de se pensar sobre a tecnologia na educação do letramento. A domesticação é um compromisso entre o determinismo tecnológico e o social. A teoria foi desenvolvida para examinar a adoção das tecnologias no lar, mas pode ser expandida para pensar sobre o uso da tecnologia na educação do letramento (SILVERSTONE; HIRSCH, 1994).

A teoria da domesticação é essencialmente uma abordagem pragmática. Ela aceita a idéia de que as tecnologias têm efeitos nas pessoas e que as pessoas moldam seus usos. A teoria da domesticação olha juntamente para as interações entre as pessoas e as tecnologias e os contextos particulares em que as tecnologias estão sendo circunscritas e usadas. Ela também reconhece que a adoção das tecnologias e seu uso são dinâmicos e variáveis. Tome como exemplo os alunos da universidade escandinávia que trabalharam como enviar mensagens de texto com um telefone celular, um aparelho projetado para a comunicação através da voz. Traços da teoria de domesticação são evidentes em recentes relatos de pesquisas que exploraram as relações complexas entre o letramento, a aprendizagem e a tecnologia.

Agora para a segunda pergunta – O que as pesquisas nos dizem a respeito da maneira como o uso das tecnologias digitais afeta as práticas letradas dos alunos e sua aprendizagem? Todo tipo de alegação baseada em pesquisa tem sido feita em relação à maneira como as tecnologias digitais afetam a aprendizagem do letramento e suas práticas. Os achados dos estudos que têm investigado o impacto das tecnologias na aprendizagem variam de claro melhoramento para nenhum melhoramento, enquanto alguns têm dito ainda que elas pioram as coisas. Às vezes, estatísticas são usadas para indicar se têm havido diferenças significativas no empreendimento entre a leitura e a escrita com as novas tecnologias e a leitura e a escrita com as ferramentas tradicionais. Às vezes, descrições detalhadas do ambiente e das mudanças de como os alunos criam significados e se comunicam são fornecidas. O que as pessoas farão com essa exibição de evidências?

Faz-se proveitoso considerar qual teoria da tecnologia sustentou as pesquisas no momento em que ela deu forma às questões que os pesquisadores perguntaram, às investigações que eles iniciaram e às conclusões a que eles chegaram. Quando o determinismo tecnológico instruiu a pesquisa, a questão condutora tem sido freqüentemente sobre o impacto da tecnologia no desempenho letrado dos estudantes. Quando o determinismo social instruiu a pesquisa, então o foco tem sido nos professores e nos alunos nos contextos da sala de aula e como eles têm usado as tecnologias para propósitos particulares. Quando a teoria da domesticação sustenta a pesquisa, as relações entre os professores, os alunos e as tecnologias têm sido todas examinadas como parte de redes complexas de interação e aprendizagem.

Os primeiros estudos usaram principalmente métodos experimentais – a abordagem dominante na ciência e na medicina. Eles investigaram se o uso dos computadores melhorou os resultados do letramento e seus achados foram incertos. Quase três décadas depois, não há ainda grandiosa consistência de evidência que demonstre que o uso da Internet na assistência dos alunos, editores de textos e outros aplicativos populares tenham qualquer impacto no empreendimento acadêmico. Meu estudo de doutoramento estava nessa tradição. Seu título era: O impacto dos editores de textos na escrita dos alunos. A pergunta central era: O uso de editores de textos  melhora a qualidade de escrita dos alunos?

Por volta da metade da década de 80, os pesquisadores estavam considerando os ambientes em que os computadores eram usados, produzindo descrições detalhadas das salas de aula de ensino e aprendizagem. Houve um reconhecimento crescente de que os computadores nas salas de aula eram improváveis de negar a influência da classe social no empreendimento dos alunos. Por volta da metade da década de 90, a Internet e a Web tinham se tornado lugares para pesquisa. Informados pelo entendimento do letramento como um conjunto de práticas sociais, as investigações focaram nas novas práticas letradas, identidade, gênero, classe e acesso. Meu livro, escrito com Colin Lankshear e Bill Green (LANKSHEAR; SNYDER; GREEN, 2000), Professores e Technoletramento reporta os achados de um estudo australiano importante que produziu estudos de caso de professores tentando integrar os computadores em suas práticas de sala de aula. Houve também estudos que enfatizaram a necessidade de ensinar aos alunos como acessar criticamente a fidedignidade e o valor das informações que eles encontravam na Web a partir do entendimento de suas fontes bem como suas características textuais e não-textuais tais como imagens, links e interatividade. O trabalho de Nick Burbules (ex. 2000 com CALLISTER) foi muito importante nessa área.

Levantamentos de larga escala têm examinado as complexas relações entre a mídia, a infância, a família e o lar. O trabalho de Sonia Livingstone (ex. 2002) é notável. Os levantamentos constataram que os jovens vivem vidas preenchidas de mídias com acesso a uma quantidade sem precedente de mídias em seus lares. No entanto, idade, gênero, raça e classe influenciam a quantidade de tempo que os jovens passam usando as mídias. A televisão e o ouvir música permanecem importantes em suas vidas, mas a Internet comanda a maior parte do tempo. Embora as crianças e os jovens continuem a ler livros, eles gastam menos tempo nisso do que suas gerações passadas. Alguns jovens estão preocupados com a dependência crescente nas máquinas, a natureza do isolamento da Internet, e como a tecnologia ameaça sua privacidade e sua habilidade de se relacionar com outros.

Desde o final da década de 90, pesquisadores vêm identificando novos tipos de texto, práticas de linguagem e formações sociais ao passo que os jovens usam telefones celulares, mensagens de texto, a Internet, mensagens instantâneas, jogos online, blogs, mecanismos de busca, websites, e-mail, vídeo digital, música, imagens entre outros. Suas práticas de letramento digital compreendem processar palavras, articular hipertextos, participar em discussões online, usar software de apresentação, criar páginas na Web e se congregar em portfólios digitais. New Literacies de Colin Lankshear e Michele Knobel (2003) é um excelente exemplo da ênfase nessas pesquisas. Pesquisas examinando as complexas conexões entre os letramentos da escola e de fora da escola têm fornecido clareza para os professores sobre a experiência e o conhecimento que os alunos trazem para os estudos formais na escola.

Em direções semelhantes, pesquisadores têm investigado a relação entre os jogos de computador e a aprendizagem do letramento. O trabalho de Jim Gee (2003) e Henry Jenkins (2006) se sobressai. Os estudos têm demonstrado que os jogos requerem letramentos complexos e ensinam um grau de sofisticação multimodal, visual e lingüística, geralmente negligenciado na sala de aula de letramento. As pesquisas têm também sugerido o valor que os textos populares oferecem para a consolidação e a extensão do entendimento dos alunos nas práticas de leitura. Por exemplo, Catherine Beavis (2002) argumentou que trabalhar com jogos de computador nas salas de aula de letramento proporciona ao aluno recursos adicionais de expressão e comunicação àqueles dependentes das habilidades impressas.

Estudos baseados em gênero têm revelado que os jogos de computador são um aspecto do uso da tecnologia em que as diferenças em torno de gêneros estão sucumbindo. Embora a maioria das meninas ainda não escolha as matérias de tecnologia na escola ou em seus estudos após a escola e continua a ser inferiormente representada na indústria de tecnologia da informação, elas estão participando mais na cultura dos jogos de computadores. A hipótese de que o mundo dos jogos de computador é do domínio masculino que enfatiza a violência e a fantasia sexual de garotos não se mantém mais. As narrativas estereotípicas masculinas de certos jogos são desagradáveis a garotas, mas há outras opções agora para elas.

Então quais são as implicações dos achados de pesquisas para os professores de letramento? As pesquisas têm enfatizado a importância do entendimento das crianças e dos jovens que povoam as salas de aula: o que eles fazem em suas vidas fora da escola, o que prende seu interesse e o que não o faz. Os jovens trazem habilidades avançadas relacionadas à tecnologia para a sala de aula que poderiam ser usadas produtivamente para a aprendizagem da língua e do letramento. Mas nós também necessitamos nos lembrar de que há uma grande diversidade nas formas em que as famílias e os jovens se comprometem com as novas tecnologias. O trabalho de Mark Warschauer (2003) sobre a inclusão social e a exclusão digital pode ser alarmante. Simplesmente ter acesso no lar ou na escola não garante aos alunos oportunidades de aprendizagem do letramento.

Escrevendo sobre as possibilidades de mudanças criativas para as salas de aula e escolas quando as novas tecnologias são usadas, os pesquisadores têm argumentado que o conhecimento sobre a história das novas práticas letradas é um pré-requisito. Outros pesquisadores têm questionado a hipótese de que quanto mais as escolas dependerem da tecnologia, melhores serão seus resultados.

Sugestões da literatura de pesquisas de como repensar, redefinir e reprojetar a linguagem e o letramento na sala de aula para satisfazer as necessidades dos alunos no século XXI inclui um componente comum: acima de tudo, uma sala de aula de letramento para o futuro deve envolver a integração efetiva do letramento impresso e o letramento digital. Não deveria ser uma escolha entre o mundo da página e o mundo da tela – a educação necessita de dar atenção a ambos. A realização dessa importante meta requer um conceito de letramento mais amplo. Mas apesar do reconhecimento crescente dessa necessidade presente na literatura, as alterações nas práticas dos professores em sala de aula têm sido vagarosas.

O que me leva a minha terceira pergunta: Como os professores do letramento, bem como os professores de maneira geral, têm respondido ao uso das tecnologias computacionais na educação? Na maior parte, professores do letramento têm visto a tecnologia como antitética aos seus interesses. Embora essa atitude não seja compartilhada por todos, tem havido uma desconfiança geral das máquinas. Então quando os computadores de mesa entraram no sistema educacional no final da década de 70, anunciado como a nova tecnologia que inevitavelmente melhoraria a educação, os professores do letramento estavam reticentes sobre explorar seu uso potencial na sala de aula. Esse efeito reprimido continuou na década de 80, quando os computadores foram promovidos como máquinas de escrever maravilhosas, assistentes e mestres de atividades. Eu tracei esses padrões em Hypertext (SNYDER, 1996) e em Page to Screen (SNYDER, 1997).

Isso persistiu nos anos da década de 90, quando a Internet e a Web foram aclamadas enquanto tornavam possível uma abordagem para a educação em que os alunos seriam capazes de aprender qualquer coisa, em qualquer lugar, em qualquer momento. E isso progrediu nos anos 2000, em que a excitação centrou-se nas possibilidades de comunicação da Web 2.0. O interesse tem vagarosamente se expandido, e crescentes números de professores do letramento, particularmente os mais jovens, estão usando agora as tecnologias digitais em suas salas de aula, embora a relutância inicial permaneça.

Muita reflexão tem sido dedicada à literatura da pesquisa de como os professores e educadores de letramento podem fazer efetivamente uso das novas tecnologias em suas salas de aula. Contudo, as aplicações mais comumente utilizadas no letramento e nas salas de aula de inglês são os processamentos de palavras para a escrita e a Internet para a pesquisa de informações, o que não diminui o valor de ambos. Em geral, os professores de letramento de todos os níveis de escolarização têm usado as novas tecnologias para continuar fazendo o que eles têm sempre feito. Os alunos usam computadores portáteis como eles usariam seus cadernos. Os professores podem postar exercícios na Web, comunicar-se com os alunos por e-mail e responder aos seus escritos eletronicamente, mas a abordagem tradicional de iniciar uma atividade curricular, estabelecer lições para casa e avaliar o trabalho dos alunos tem sido mantida.

Embora os professores de algumas disciplinas tenham sido mais entusiastas do que os professores alfabeetizadores em relação à promessa dos computadores, não tem havido uma revolução tecnológica na educação. Apesar do imenso investimento dos governos nos sistemas elétricos das escolas, reduzindo a proporção de alunos por computador e assegurando que os documentos curriculares considerem as novas tecnologias em todos os níveis da educação, o processo de ensino e aprendizagem nas escolas da Austrália e do Brasil não tem sido transformado. Através da tecnologização da educação, os governos têm objetivado formar escolas mais eficientes e produtivas, mais conectadas à vida real e preparar os jovens para o emprego após a escola. Sem real evidência alguma que indique que esses objetivos foram alcançados, os governos devem agora estar se perguntando se o valor do investimento em computadores e em outras tecnologias valeu a pena (CUBAN, 2001).

A parábola de Seymour Papert (1993) sobre os viajantes do tempo do século XIX tem uma ressonância aqui. Quando os viajantes do tempo visitam um anfiteatro do século XXI em operação em um hospital, eles reconhecem pouco do que está acontecendo, mas quando eles visitam uma sala de aula em uma escola, muitas coisas são familiares. O crescimento exponencial da ciência e da tecnologia nos anos recentes tem significado que algumas áreas da atividade humana tais como as de telecomunicações, entretenimento, transporte e medicina têm mudado dramaticamente, mas a educação não. As escolas como as instituições e os professores que trabalham nelas parecem ser resistentes às mudanças baseadas na tecnologia.

Até agora ninguém que esteve presente em uma escola na década de 50 e então visitou uma em 2008 poderia deixar de observar que importantes mudanças no currículo e nas práticas de sala de aula baseados na tecnologia tenha ocorrido. O ponto não é que as escolas e os professores não possam mudar, mas que a sala de aula e as práticas de ensino persistem devido aos legados históricos e aos fatores contextuais. Mudanças incrementais para a educação em resposta às novas tecnologias têm ocorrido, mas mudanças fundamentais têm sido raras.

Como Larry Cuban (2001) apontou, apesar das reivindicações extravagantes dos promotores, o fornecimento da tecnologia é insuficiente para transformar a educação e mais insuficiente ainda para equipar os alunos com as habilidades e atividades que eles precisam para operar efetivamente no mundo pós-escola do lazer, do trabalho e da cidadania. Mudanças reais requerem muito mais do que simplesmente dar às escolas recursos tecnológicos. A ecologia inteira da educação escolar necessitaria ser repensada e financiada, na forma que os professores são preparados e valorizados, e na forma que os hardware e os software são projetados para satisfazer as necessidades de professores e alunos mais do que o mundo dos negócios. Sem tais principais mudanças, apenas relativamente menores alterações na prática de sala de aula são prováveis de acontecer (CUBAN, 2001).

Oportunidades e desafios

Meu foco aqui foi nas respostas sensacionalistas às novas tecnologias que têm sido os textos dominantes culturalmente por décadas. Há dois filamentos principais – a importância esbaforida dos últimos equipamentos eletrônicos e o que está vindo em seguida, e os argumentos morais para conservar a fidelidade tradicional da educação em relação à cultura impressa. Contudo, polarizar e simplificar a discussão dessa forma desconsidera os desafios que nós enfrentamos ao tentar encontrar estratégias em lidar com as necessidades de ambos os letramentos impresso e o digital de nossos alunos. Alguns de nós têm encontrado formas de explorar as oportunidades da aprendizagem rica que as novas mídias oferecem e ajudar os alunos a se tornarem usuários críticos e capazes. No entanto, a maioria de nós tem sido vagarosa em adaptar-se e quando nós realmente usamos as tecnologias, é geralmente para realizar os propósitos baseados no impresso e de formas orientadas pelo impresso.

Há razões sistêmicas muito reais para explicar esse fenômeno que vai além da nossa relutância histórica com as novas tecnologias. As salas de aula de letramento são restritas pelo modelo estático das escolas e das instituições que impedem cuidadosa pesquisa sobre os novos letramentos e o expansivo uso das novas mídias. Nós temos pouco tempo para refletir sobre o que fazemos, não importando a direção curricular proposta. Então quando nós tentamos trabalhar com as mídias digitais em nossas salas de aula, há muito pouca oportunidade para criar uma parceria criativa com colegas e ter experiência com os novos letramentos. Usos construtivos são freqüentemente limitados aos defensores da tecnologia cuja experiência, como mostram as pesquisas se extingue conseqüentemente.

Há um abismo entre o mundo da sala de aula alfabetização e o mundo dos alunos que estão imersos nas mídias, na Internet e nos vídeos-game. Problemas com a infra-estrutura das escolas onde trabalhamos também exacerbam as dificuldades: a Internet pode estar funcionando um dia, não funcionar no próximo, e os computadores freqüentemente não são potentes o suficiente para o uso de ferramentas avançadas. Além disso, as escolas talvez possam ter regras rígidas sobre e-mail e o acesso à Internet o que frustra ambos professores e alunos. Esses fatores sozinhos são suficientes para desencorajar todos nós de tentarmos integrar as novas tecnologias em nossas práticas de sala de aula mesmo que nós talvez possamos ser usuários dedicados e experientes em nossas vidas privadas.

Por ora, como professores, nós ainda estamos encarregados com a responsabilidade de encontrar maneiras inovadoras para incorporar os novos letramentos na prática de sala de aula. As habilidades e o conhecimento do letramento impresso são essenciais, mas não suficientes para dar assistência aos jovens ao passo que eles vivem suas vidas em uma sociedade de informação e rede. Quando o letramento é visto como o repertório de habilidades lingüísticas e intelectuais que os alunos necessitam para atuar nos níveis mais elevados em um mundo multimídia, noções de letramento como um conjunto de habilidades básicas prescritas por um mundo baseado no impresso parecem cada vez mais limitadas.

A responsabilidade dos educadores de letramento é proporcionar aos jovens oportunidades cuidadosamente planejadas para que eles aprendam como se tornar navegadores críticos no novo panorama do letramento em tempos digitais. Nós podemos ajudar nossos alunos a compreenderem o panorama do letramento digital para que eles não sejam seduzidos pelo que eles acharem. O objetivo é embebê-los com um senso forte de ceticismo instruído.

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* Versão ampliada da conferência de encerramento do Chip (Colóquio sobre Hipertexto), realizado pelos Programas de Pós-Graduação em Lingüística da UFC e Lingüística Aplicada da UECE no dia 24 de julho, na cidade de Fortaleza-CE. Tradução de Samuel de Carvalho Lima. Revisão Técnica de Denise Bértoli Braga (Unicamp) e Júlio César Araújo (UFC).

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